sexta-feira, 4 de março de 2016

Filhinhos da mamãe


Assistindo a bela serie Band of Brothers de Steven Spielberg e Tom Hanks você se imagina um inútil nesse mundo trilhado e construido através de grandes guerras, de grandes batalhas, de grandes terremotos bélicos. Um bando de filhinhos da mamãe essa geração do século XXI, nunca se quer presenciou um grande reboliço, nunca se quer sentiu algo como o frio na espinha do não poder nem imaginar a volta para casa, o terror psicológico da carnificina, dos corpos ao chão perfurado por bala, estraçalhado, triturados pelas maquinas de guerras, se quer sentiu a dor de um companheiro de guerra sem as pernas jorrando em sangue ou simplesmente sem o psicológico preparado para ver o que a guerra escancara aos nossos olhos.

Durante todos os dez episódios a imagem que me marca é a de um soldado tirando o capacete da cabeça e deixando-o deslizar das mãos para o chão é a parte de apresentação inicial da serie, com uma música fantástica de Michael kamen. Até o sétimo episódio fiquei curioso para saber o que acontecera que fizera o soldado reagir daquela forma, só então no sétimo episódio na batalha de Bastogne uma das piores enfrentada pela companhia Isis, o soldado viu dois dos seus amigos serem atingindo por uma bomba que decepou as pernas de ambos, com a face assombrada ele retira o capacete e o deixa cair vagarosamente, a partir daquela cena o soldado desistira da guerra, não o corpo mais o psicológico havia se rendido. Essa é uma das cenas mais tocantes da serie, o conflito interior é constante sob as rajadas de balas e bombas. O homem é sem dúvida um ser histórico, imortal pelos seus feitos, irracional e humano ao mesmo tempo. Quando corpo e mente não se encontram inexiste possibilidade de unir caminho e equilíbrio, os passos não sustentam a barbárie.

Esse é um tempo que devemos nos questionar o que somos, porque somos e se ainda queremos ser.  Nesse início de século o que vejo é um bando de filhinhos da mamãe em guerras de torcidas organizadas, em  brigas de vizinhos condenados pela soberba um do outro, em conflitos conjugais, em briga de bar. O que vejo é somente frouxos tentando amenizar os feitos que nunca irão conseguir. Lutar e vencer em uma guerra é para poucos e só aqueles que viveram e sentiram na pele estarão na posição de dizer o que é difícil hoje em dia. Que tal pararmos com toda essa discussão de esquina e agirmos para tornar o mundo melhor e nos orgulharmos de alguma coisa que valha a pena no futuro.

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