sábado, 26 de setembro de 2015

Carta a um inquieto




                                                        Sábado, 26 de setembro de 2015

Meu velho,
Existe um caminho ao longe que poderia te levar ao paraíso dos campos férteis. Esse caminho poderia torna-lo menos triste, menos desatento para o viver a vida, menos indiferente. Veja, essa é uma geração de pervertidos e quando falo pervertido não estou a falar só na perversão do sexo em si, mas na perversão a tecnologia, ao dinheiro, ao insano e miserável, você é um estranho entre todos esses pervertidos, eu sei. Me falaste de amor alguma vez? Não carrego em minhas lembranças se quer uma unica menção tua aos sentimentos humanos mais intensos. Falas muito pouco, o teu silêncio é um deus dentro de ti e esse deus construiu paredes resistentes e dessa resistência nasceu o congelamento para a vida, para tua vida cinzaescurecida, para o vegetar dos sentimentos estranhos. Onde estão tuas lembranças agora? Porque não me contas das tuas magoas passadas, sei do teu sentir latente, sei das tuas fraquezas que habitam as entranhas do teu lapidar o tempo inconscientemente. Revela-me as tuas dores, liberta por definitivo essas amarras falsas de um existir sem fundamento. Permita-me alcançar as tuas náuseas diárias e sentir o teu sentir para poder compreende-lo sem imaginar o que eu não posso imaginar. Sabe? Vejo-te como um ser intocável, não intocável no sentido de palpável, mas intocável no sentido de alcançar desde teu sentimento mais brando ao mais escuro, adentrar a tua cabeça e conhece-lo sem meio termo seria pra mim um privilegio. A tua face me agrada, ela disfarça um sofrimento de muitos anos, ela é pesada como o passado, na verdade ela carrega um passado mal compreendido é isso que sinto, desculpe-me se estou sendo inconveniente aos teus hábitos, mas penso que me deste liberdade de falar tudo depois que trocamos algumas palavras, confesso que não teria coragem de falar tudo isso pessoalmente, porque como é de costuma você encontraria um jeito de terminar o mais rápido a conversa para poder se desfazer de minhas bobagens. Essa acabou sendo a unica maneira de falar o que penso de ti. Es resistente porque luta contra um inimigo que nunca mostrara a cara. Se esconder do mundo talvez não seja a melhor maneira de vencer as angustias, esquecer o outro não passa de desculpas para não firmar sentimentos incompatíveis a sua forma de existir. Considero-te como a nenhum outro ser na face da terra, mas por favor a indiferença para com o outro é desleal. Peço-te meu velho algo mais em prol da nossa amizade: não me esqueça amanhã.


                   de todo meu coração

                                                             Poeta das montanhas

sábado, 12 de setembro de 2015

O homem em sua natureza mais cruel


No passado meu pai esfacelou meu cachorro de pancada, nesse tempo ele era um homem que frequentava a igreja, lia a bíblia e acreditava fortemente em um deus. Chorei muito e muitos da redondeza ouviram meus pedidos de "pare" não atendidos. Foi depois desse ocorrido que eliminei as possibilidades de qualquer divindade, eu não poderia acreditar que alguém com deus no coração pudesse fazer uma coisa daquelas.

Hoje meu pai não frequenta igreja alguma, quase não ler a bíblia e passou a acreditar menos em divindades, e choraria se lembrasse desse ocorrido, hoje o vejo com mais amor pela natureza e pelas formas de vida que nela habita. Volta e meia lembro-me desse fato, mas não odeio meu pai por isso, por que a redenção quando habita o ser humano transforma tudo e todos. Perdi a crença, mas não perdi o amor por meu pai.

sábado, 5 de setembro de 2015

Identicamente nulo

Minha vida foi e continua sendo um lixo, mas nunca precisei de entorpecentes para tentar esquecer ou viajar em outras dimensões fora da minha realidade. Sou homem o bastante para encarar a droga da realidade de perto, cara-a-cara sem medo, sem o disse me disse. Foda-se a fumaça da maresia, a unica maresia que quero é a maresia do existir conscientemente, mesmo que isso não sirva para nada, ou não seja excitante o suficiente. O que me excita está muito além de mato seco.

terça-feira, 1 de setembro de 2015

O tedioso caminho sem curvas

Uma estrada em linha reta é uma estrada sem surpresa. A nossa vida sem curvas também seria uma estrada sem graça, são as curvas que trazem o alumbramento.