domingo, 21 de setembro de 2014

Carta a um velho amigo universitário (parte I)

                                                                   


                                                                                Janeiro, 03/01/2014

Caro amigo,
estou sentido um verdadeiro mal estar aqui nesta instituição de padrões similares ao de uma feira livre. É impressionante como todas as academias estão se tornando final de feiras livres, você não acha? Cada uma com seu produto à venda, para eles donos das academias e para a maioria da classe média o produto é o saber, para mim e é evidente que para todos aqueles que enxergam além da multidão é apenas o diploma o produto que impulsiona as vendas. No final das feiras livres as gritarias aumentam porque á uma necessidade de esgotar o produto mesmo sem condição de venda pelo tempo de exposição e pelo péssimo manuseio do produto enquanto exposto, mas isso não interessa o que realmente interessa é a banca vazia.

Acho que você não entendeu deixa eu me esclarecer. O que está acontecendo é a simples manipulação do saber como produto oferecido por diversas instituições com muita gritaria de mercado e pouca qualidade, não existe um teste de qualidade eficiente, não existe uma marca de saber privilegiada e que se sobressai sobre todas as outras, não é saber o que se encontra dentro das universidades, pode até ser saber, mas um saber paralitico e anêmico, um saber sedentário aos padrões acadêmicos mercadológicos, um saber de fim de feira estragado, amassado, pisoteado.

Pergunto a você que me acompanha nessa longa caminhada universitária: o que aprendeu durante esses dois anos de vida acadêmica? É suficiente para sair lá fora e exercer o teu ofício com a impecabilidade dos antigos? Não lhe falta nada? Que diferença faz está aqui ou não está aqui? Você pode chegar pra mim e dizer “eu aprendi muita coisa aqui sim” e aceitarei sem sombras de dúvidas, mas o que você aprendeu aqui dentro ou o que você acha que aprendeu aqui dentro lá fora você seria um sábio, pois o que vale é autodeterminação que cada um possui dentro de si próprio, porque acha que inventaram o diploma? Por que é através do diploma que as instituições de ensino te mantêm, me mantém e mantém a todos presos. São as academias que julgam se você está apto ou não para o saber geral ou para exercer um ofício lá fora. Agora eu te pergunto novamente: com que autoridade uma instituição que vende um produto de final de feira julga uma pessoa apta para o saber? Diga-me se é realmente confiável o que você aprendeu aqui dentro se é que realmente aprendeu alguma coisa senão por sua sede de busca?

Não se engane o que você aprendeu foi mérito da tua vontade de aprender e são poucos dentro dessas academias que possuem essa vontade de determinação, a grande maioria se curva diante do poder das instituições que se dizem formadoras de caráter. A maioria aceita o produto do fim de feira estragado, amassado, pisoteado, completamente podre. Ai você pode me perguntar: e onde encontrar o produto saudável, consistente, vivo ainda? Esse produto só se encontra no início da feira na madrugada de um dia para o outro e nessa hora todos estão a dormir profundamente. Por isso os antigos moldaram todo o conhecimento que temos hoje, eles acordavam com o canto do galo, antes mesmo de o sol nascer porque é nessa hora que o saber alarga-se e apossa-se do ser. 

O saber barganhado como está não é saber é mecanismo de controle, é saber de final de tarde preguiçoso, saber de fim feira barato, sem qualidade e manuseio, veja, as instituições tem o saber nas mãos e não sabem ou não querem manusear de maneira correta porque o poder financeiro domina as instituições. Pó isso que te digo: sabemos o que eles querem que saibamos a grade curricular mal formulada dos nossos cursos é prova disso, só temos nossa consciência e nossa autodeterminação para caminhar com nossas próprias pernas sem ingerir o saber manipulado e vendido em fim de feira. Digo tudo isso a você porque a tua autodeterminação vai muito além, o não se deixar influenciar por toda essa sacanagem que toma conta das universidades públicas e privadas, o não se prender a mecanismos de controle que o estado em conluio com as próprias universidades armam para nos negligenciar. Está a seguir no caminho correto meu amigo, mas lá fora ainda temos que enfrentar outro grande dilema que é a prática daqueles aptos por essas universidades a exercerem o seu ofício. Quero dizer que estaremos juntos e gritaremos pela força da autodeterminação que é preponderante nos seres de liberdade viva e colossal.
Abraços,

                                                                            Poeta das montanhas

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O sucumbir



Olhar o distante e se perceber no tempo dissipando. Há um vazio estremecedor no amanhã e as partes não se encontram mais no mesmo lugar tantas vezes cultuado. O ser que sucumbe as dez horas da manhã esperando a morte chegar a bordo da luz do sol, fixa o horizonte sem perspectiva e sem desejo de ser mais nada além do que se é, ou do que se foi no ontem tão cheio da fugaz jovialidade.

O mundo sem trégua, a vida esvaindo-se pelas vias apertadas de um tempo sem expressão, toda verdadeira dor aprisionada entre o desejo se desfazendo e um futuro para o esquecimento. No horizonte o sol nasce cada dia mais vivo e rejuvenescido, mais intenso e presente, o sonho de ser infinito como o sol passa longe de qualquer desejo. No limiar do sucumbir o distante está tão próximo e o próximo é tão doloroso a ponto de estremecer as ideias.

Ontem envelhecemos no futuro e as lembranças para alguns não alcançaram ainda um grau máximo de satisfação, onde nem a frigidez consegue frear um ser impulsionado pela razão, toda satisfação de uma vida plena se isso é verídico pende mais para o lado das emoções, a razão é o equilíbrio, mas o equilíbrio fica terminantemente fora de pauta em um mundo desequilibrado, em mundo assombrado pelo demônio da não existência continua. O sucumbir é um dos nossos demônios particular.        
     

sábado, 6 de setembro de 2014

Os prantos de uma vida à toa



Não, homens não choram!
Mas quantas vezes já chorei na imensidão escura do meu ser
Nas horas livres de investigação da alma;
Na fatia triste de algumas canções de Pink Floyd;
Como não chorar com “wish you were here”
Nas próprias cenas acidas do filme “O império do sol” onde o valente
Garotinho com seu kadilac prata caçando a porteira de sua gaiola.
E como o valente garotinho do filme aprendo uma nova palavra todo dia
Ponho-as em práticas e sufoco a mim mesmo
aprendo a sonhar desaprendendo a viver;
Sou ilustrador do tempo incomum, incabível em mim mesmo corro todos os dias para o ponto de partida o tiro não soa, então retorno ao santuário dos sonhadores. Um dia era manhã ensolarada um passarinho apossou-se de mim, Mas não era nada, avisou-me que para possuir asas era preciso saber equilibrar-se nas alturas do mundo. Um dia eu chorei, era noite de lua um cisco estelar entrou em meus olhos Eu todo alumbrado naveguei em prantos. O imaginário transgredindo alavancando as horas, trabalhando sem cessar. O mundo a dois passos da destruição e um homem não pode chorar.
Um pedaço de mim ainda é pranto o outro é solidão dos espaços que ainda não construir.