sábado, 19 de julho de 2014

Carta a um velho amigo universitário (Parte II)

                                                             
               
                                                                                       Junho, 16/06/2014

Saudações,
Primeiramente como anda as coisas por essa terra distante meu amigo? Tenho certeza que o inverno rigoroso amansador do espírito mais feroz já chegou por ai, não sabe como invejo-te. Há sempre um grande espaço separando grandes almas, escrevo-te por desejar que esse espaço seja diminuído, preciso contar algumas novidades que iluminaram minha vida nesses seis meses desde que nos falamos. A primeira e grande novidade é a viagem que farei por todo Brasil em dezembro próximo, estou em meio a ansiedade você bem sabe que já não aguento mais respirar o ar pesado dessa sociedade dependente e intoxicada. O sentimento das coisas perdendo o valor rapidamente tornou-se ainda maior desde os tempos em que distribuíamos pães dormidos para os habitantes do céu estrelado, sinto muita falta daqueles duros tempos onde toda dificuldade era sinal de vontade de conquista, nascíamos todos os dias com uma força jamais vista.

Em dezembro próximo pego a estrada definitivamente, tem um parte de mim querendo conquistar uma fatia dessa colossal liberdade que se encontra por ai nas coisas novas, depois das grandes curvas, no infinito não muito distante. Vou de bicicleta meu amigo, sei que parece loucura, mas loucura mesmo é pensar que só podemos fazer aquilo que os outros não taxarão de insano. Jamais deixar de fazer alguma coisa porque os outros dizem que é loucura. Penso muito nas limitações impostas pelo seres humanos, por exemplo: um vasto mundo para desvendar e barreiras como dinheiro, passaporte e meios de transporte tornam impossível o deslocamento, é uma questão de opressão da liberdade e do direito de ir e vir. O pior momento da humanidade foi quando o primeiro homem cercou um pedaço de terra e proibiu alguém de ultrapassar os limites desse cercado criando assim a propriedade privada. O que estou querendo dizer é que o mundo é grande de mais para ficarmos preso em só lugar a espera da morte.

Tenho certeza que você me compreenderá, por que você também é um critico feroz dessa sociedade brutal e mal acostumada, você também tem pela sombra da vida uma aversão e uma indigestão pelo tédio. A minha intenção é percorrer o Brasil de um lado a outro isso se quando chegar no sul não permanecer um grande período de tempo, pois o primeiro dos meus planos é chegar ao sul. Só espero terminar a faculdade em dezembro para assim poder partir, você não sabe o quanto essa faculdade está sendo um peso pra mim, a impulsão é somente o sentimento de fracasso que povoara meu coração se não consegui terminar o curso. Esse será com toda certeza o ultimo objetivo que traço como projeto a longo prazo, foram longos três anos de puro tédio e perda de tempo, pois a conclusão que tiro de uma academia universitária é simplesmente a incompetência para transmissão de saber, transmissão de valores, transmissão de verdade. Em quaisquer academia universitária o predomínio da ignorância e falta de senso ético ultrapassa os limites e irrompe barreiras aqui no Brasil.

Como ver continuo critico ferrenho e um humanista sem precedentes, espero que até junho do próximo ano esteja por ai de bicicleta, esta é a previsão que faço. Temos muito para conversar sobre o que tem acontecido no meio educacional e no sistema falho da nossa política educacional, falar sobre o livro que estou iniciando e da sua luta para conquistar o teu espaço dentro desta sociedade de conformados. Vou começar a ler Thoreau "walden" é um livro fantástico fala sobre uma parte da vida dele em que decide viver isolado na natureza, para fugir de uma sociedade já doente pelo progresso e as mazelas que hoje toma extensão no mundo inteiro. Bom, espero que esteja tudo bem com você, uma carta tua me faria bem, pense nisso não custa nada escrever com as tuas belas palavras de escritor iluminado e encher meu espírito de alegria por alguns instantes.

Grande abraço,
                             do teu velho amigo poeta das montanhas.

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