quinta-feira, 31 de julho de 2014

Ritos do meu ser


Ser eu mesmo significou até hoje poucos amigos, poucas oportunidades e minúsculas ou quase nada de relações afetivas. Meu ser foi até hoje alojamento de velhas e empoeiradas solidões, nunca precisei de acumular coisas quanto mais sentimentos passados e repisados. Voltar a minha aldeia é um drama e muito mais um sofrimento incurável, pois lá estão todas as lembranças que construíram-me, modelaram meus pensamentos e ressentimentos quanto a tudo aquilo pelo qual sinto um nojo profundo que vai desde rituais de vaidade e desuso da originalidade das palavras ao embelezamento através de apetrechos e ao empobrecimento das ideias em prol de reconhecimento pessoal e profissional.

A porta fechada seja comigo dentro ou fora foi a maior barreira, jamais esteve aberta totalmente, quando esteve foi entreaberta e para poder entrar ou sair foi necessário imprimir uma força incontrolável, a resistência dos próprios instintos contra a tudo que se encontra fora ou dentro de mim. Resisti sempre que pude aos impulsos incontroláveis de uma sociedade que se presta sempre ao ridículo, com uma credulidade besta e afirmação de positividade que não passa de falta de decência em admitir a realidade diante dos nossos olhos.

Ser eu mesmo significou andar sobre os tuneis escuros das indefinições momentâneas. No futuro quando encontrar uma porta fechada ou entreaberta talvez consiga abri-la mantendo-me sempre em uma posição de pouca exposição ou alta exposição nesse caso correndo o risco de se abobalhar com as peripécias e acrobacias ridículas dos crédulos e seres de fé dessa sociedade ritualística. Ser eu mesmo será sempre um eco nos meus pensamentos e nos pensamentos de quem se aproxima, o meu silêncio, as minhas meias palavras, os meus pés no chão, a minha insistência com a vida, a minha própria forma de conduzir a vida. Sou um eco no deserto em forma de vida.


Pós-mundo


Os gregos em busca de tranquilizar a alma pelas atrocidades que cometiam desenharam o olimpo tão perfeitamente que outras nações fizeram questão de redesenhar, mas uma coisa é certa, seja, paraíso, nirvana, haren, céu todas carregam o mesmo ideal grego: Fugir da culpa pelos atos indignos cometidos no decorrer da história. 


quinta-feira, 24 de julho de 2014

O livro "mais amado" de Nietzsche


Sinceramente, “assim falou Zaratustra” foi a pior criação de Nietzsche. Com essa obra seu desejo em ser criador ou o próprio carpinteiro evidencia-se de uma forma assustadora. Nessa obra Nietzsche desvia-se do seu maior propósito: derrubar a moral que sustenta uma ilusão. Não existe diferença nenhuma entre ler a “bíblia” e ler “assim falou Zaratustra”.

terça-feira, 22 de julho de 2014

“Somos todos seres modificáveis”


Não existe tempo imediato para encontramos algo maravilhoso, como essa frase de um autor que por infelicidade não lembro o nome. Ela gruda nos pensamentos, em qualquer lugar você acaba repetindo. Tenho pra mim que só os pensamentos geniais grudam como cola. Mas daqui a alguns meses, semanas ou dias talvez essa frase já não faça mais parte do meu ciclo pensante. Estarei vagando por outra vertente ainda mais grudenta e vibrante. Porque a roda gigante está em nossas cabeças, de cada girar prescinde um momento distinto, um movimento novo, um girar reverso, a cada momento um novo instante se revela. 

sábado, 19 de julho de 2014

Carta a um velho amigo universitário (Parte II)

                                                             
               
                                                                                       Junho, 16/06/2014

Saudações,
Primeiramente como anda as coisas por essa terra distante meu amigo? Tenho certeza que o inverno rigoroso amansador do espírito mais feroz já chegou por ai, não sabe como invejo-te. Há sempre um grande espaço separando grandes almas, escrevo-te por desejar que esse espaço seja diminuído, preciso contar algumas novidades que iluminaram minha vida nesses seis meses desde que nos falamos. A primeira e grande novidade é a viagem que farei por todo Brasil em dezembro próximo, estou em meio a ansiedade você bem sabe que já não aguento mais respirar o ar pesado dessa sociedade dependente e intoxicada. O sentimento das coisas perdendo o valor rapidamente tornou-se ainda maior desde os tempos em que distribuíamos pães dormidos para os habitantes do céu estrelado, sinto muita falta daqueles duros tempos onde toda dificuldade era sinal de vontade de conquista, nascíamos todos os dias com uma força jamais vista.

Em dezembro próximo pego a estrada definitivamente, tem um parte de mim querendo conquistar uma fatia dessa colossal liberdade que se encontra por ai nas coisas novas, depois das grandes curvas, no infinito não muito distante. Vou de bicicleta meu amigo, sei que parece loucura, mas loucura mesmo é pensar que só podemos fazer aquilo que os outros não taxarão de insano. Jamais deixar de fazer alguma coisa porque os outros dizem que é loucura. Penso muito nas limitações impostas pelo seres humanos, por exemplo: um vasto mundo para desvendar e barreiras como dinheiro, passaporte e meios de transporte tornam impossível o deslocamento, é uma questão de opressão da liberdade e do direito de ir e vir. O pior momento da humanidade foi quando o primeiro homem cercou um pedaço de terra e proibiu alguém de ultrapassar os limites desse cercado criando assim a propriedade privada. O que estou querendo dizer é que o mundo é grande de mais para ficarmos preso em só lugar a espera da morte.

Tenho certeza que você me compreenderá, por que você também é um critico feroz dessa sociedade brutal e mal acostumada, você também tem pela sombra da vida uma aversão e uma indigestão pelo tédio. A minha intenção é percorrer o Brasil de um lado a outro isso se quando chegar no sul não permanecer um grande período de tempo, pois o primeiro dos meus planos é chegar ao sul. Só espero terminar a faculdade em dezembro para assim poder partir, você não sabe o quanto essa faculdade está sendo um peso pra mim, a impulsão é somente o sentimento de fracasso que povoara meu coração se não consegui terminar o curso. Esse será com toda certeza o ultimo objetivo que traço como projeto a longo prazo, foram longos três anos de puro tédio e perda de tempo, pois a conclusão que tiro de uma academia universitária é simplesmente a incompetência para transmissão de saber, transmissão de valores, transmissão de verdade. Em quaisquer academia universitária o predomínio da ignorância e falta de senso ético ultrapassa os limites e irrompe barreiras aqui no Brasil.

Como ver continuo critico ferrenho e um humanista sem precedentes, espero que até junho do próximo ano esteja por ai de bicicleta, esta é a previsão que faço. Temos muito para conversar sobre o que tem acontecido no meio educacional e no sistema falho da nossa política educacional, falar sobre o livro que estou iniciando e da sua luta para conquistar o teu espaço dentro desta sociedade de conformados. Vou começar a ler Thoreau "walden" é um livro fantástico fala sobre uma parte da vida dele em que decide viver isolado na natureza, para fugir de uma sociedade já doente pelo progresso e as mazelas que hoje toma extensão no mundo inteiro. Bom, espero que esteja tudo bem com você, uma carta tua me faria bem, pense nisso não custa nada escrever com as tuas belas palavras de escritor iluminado e encher meu espírito de alegria por alguns instantes.

Grande abraço,
                             do teu velho amigo poeta das montanhas.

Supra-essencial


O que mais procuro hoje é a fragilidade dos seres de pura essência, a simplicidade sem necessidade de recompensa, o zelo dos que amam. Só os canalhas dormem e fazem de travesseiro a insensatez do silenciar em tempos belicosos. A bandeira do não pensamento foi alçada e permanece a balouçar sob fortes ventos presunçosos que chegam de toda parte. Os que mais procuro não existe mais, a necessidade de algo supra-essencial é um grito sem ouvintes, é na verdade um grito na própria gritaria.

É somente na procura de algo supra-essencial que apagamos as nódoas do passados, dos nossos antepassados. O terreno não é mais o mesmo fértil terreno em que os primeiros homens delimitaram seus lotes, que definiram suas leis supremas e imutáveis. O mesmo terreno é agora um deposito onde se guardam objetos imprestáveis, onde amontoam-se o desnecessário consolidado pelo poder. Este será o século dos sádicos e dos bárbaros trajados de terno e gravata.

O que mais procuro é o intocável, nasce o sol todos os dias e seus raios desbotados revelam um mundo esgotado de suas naturais maravilhas. O que mais quero é ver a estrutura formal e complexa das flores desérticas, a sobrevivência dos seres iluminados, a desnecessidade do perigo nos pousos dos pássaros, o semblante sem sede de sangue, de guerra, sem sede de autoridade. O que mais quero está além do supra-essencial, uma simplicidade verdadeira clama pelo supra-essencial.                                                      

Os conformistas


A pior especie é a dos conformistas, esses estacionam em suas próprias demagogias e deleitam-se em pensamentos vazios, se confundem e beijam o profano pensando está acima do bem e do mal. Para os conformistas a vida não vale nada e para mim os conformistas não são melhores que a vida.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

As perolas de Jesus

E então Jesus ressuscitou Lazaro?

Imagino Luter King, Mandela, Gandhi, Paulo Freire, imagino tantos seres extraordinários que se foram com tanta vontade de melhorar a humanidade.


Foda-se Lazaro!