sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Assessores do saber

Muitas coisas pra mim não faz sentido algum e existem algumas coisas que são extremamente sem sentido e por serem extremamente sem sentido me aguça a curiosidade e me enche de um meio prazer misturado a nostalgia do mistério que permeia meu ser. A arte de lecionar, por exemplo, resolvi dedicar alguns anos da minha vida para licenciatura, não foi fácil porque não aceito me prender a objetivos, sempre preferi coisas sem objetivos, entendo a palavra objetivo como gaiola.  O importante é ser livre, não totalmente noventa e nove por cento de liberdade é presumivelmente o ideal. A licenciatura vem me mostrando através de minhas curtas práticas iniciadas recentemente que fiz tanto uma boa escolha, mesmo com a profissão professor sendo vandalizada todo tempo, fiz uma boa escolha e não foi de um todo perdido esses três anos indo a uma ridícula e doutrinaria academia universitária. Com o fracasso da escola hoje não mais ensinamos e sim acompanhamos as crianças e aprendemos muito mais com eles do que com as nossas próprias práticas adquiridas ao longo de alguns anos - pode não ser exatamente isso na prática em muitas escolas por ai, mas intuitivamente é isso que ocorre. É tão fantástico isso - o professor não é mais sabedor de tudo, não é mais o centro do saber em uma instituição agora o aluno (palavra também ultrapassada) sabe mais que ele, porque tem em suas mãos o cérebro digital. A lousa é mero enfeite de parede agora, sentar ao lado da criança e observar, acompanhá-la na construção do saber, acompanhá-la construindo-se sem meio termo, sem regras, sem padrões pré-definidos. Eis a nova prática do professor em sala de aula daqui alguns anos. só lembrando que professor também já é um termo ultrapassado agora se designa "assessor do saber".

sábado, 14 de dezembro de 2013

O inesquecimento



Se existe um pedaço de mim em cada traço de esquecimento, então eu sou muitos. A aqueles que não morrem renascem mais forte - Mandela foi um desses. A morte pode parecer o fim mais na verdade é o grande começo do inesquecimento, se realmente inesquecível foi as tuas andanças enquanto pulsante aqui neste pedaço sem fim do universo.

Minha alma tem sabor de solidão, sou inteiramente decomposto em momentos não duráveis, o caminhar é constante e não consegui ainda me decifrar, na verdade o código chave parece ser indecisão. A luta continua até o momento que o tempo consome tua respiração ofegante você se vai e o inesquecimento se torna agora esquecimento.

O sofá ainda está lá vazio, nunca foi habitado pra falar a verdade, a um vazio nesse sofá que corresponde ao meu vazio, sou vazio de berço, tenho vazio em todas as extremidades do meu ser, como o pote carregado até a fonte, ele pode até retornar cheio, completamente cheio, mas será de água salobra como as águas dos riachos do sertão.

Talvez não queira o inesquecimento, mas o silêncio completo e definitivo. Já quis um sofá habitado, agora o que vejo são fantasmas conversando entre si sobre possíveis possibilidade de viajar por tudo quanto é mundo. Tudo que existe é palpável e você habitante deste pedaço sem fim do universo precisa experimentar tudo o que puder alcançar com a palma das mãos. Fugir é necessário..., para um dia quem sabe retornar ao sofá desabitado.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

As meninas do centro da cidade

Depois das 11 horas o centro de Aracaju é das meninas, as meninas que trabalham com o corpo, trabalham duro, dão tudo de si. Quando eu passo no mercado pra lá das 11 horas olho pra elas e elas olham pra mim, me chamam pra tentar vender seu produto, abro um sorriso e me vou. São as mulheres mais compreensíveis do mundo elas não precisam do apego as coisas e as pessoas simplesmente dão o que você precisa talvez ouvidos, talvez conversa fiada em uma suja mesa de bar, talvez sexo. O que sei é que elas trabalham duro e dão tudo de si.