sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Entre o agora e o amanhã

Existe ainda uma hierarquia monopolizando os meios do saber, mas o principal mecanismo que torna o saber global é a força de vontade de cada um. Se não tenho uma régua ensino com um pedaço de barbante, se não tenho lápis escrevo com carvão. Nada deve impedir que o saber avance, somos capazes.

domingo, 22 de setembro de 2013

Das velhas lendas

Crescei e veras o quanto te mantiveram sob o domínio de uma farsa
derrotas e vitórias com o mesmo sabor do despertar atrasado.
Crescei para ouvir infinitas vezes a mesma farsa teatral
bonecos ajoelhados no mesmo chão de Abraão.
Crescei para entrar no templo santificado
e orar diante dos seres mistificados.
Crescei para serdes escravos
dos homens santos do céu.
Crescei e sentiras odio
sob o teto celestial
Crescei no verbo
para sem verbo
até o final.
Crescer

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O que deveríamos?

Deveria ser extinto da natureza pensante a rançosa e obsessiva ideia de valia mercadológica, a ideia de produto, a ideia de favor pela recompensa. Deveríamos começar valorar mais a ideia de amor à vida pelo simples ato de ver o sol brilhar. O que não consigo entender de maneira alguma é que para um mundo totalmente tomado pela ideia judaico-cristã seja tão difícil amar o próximo, perdoar o próximo, ajudar o próximo. A humanidade segue com paixão, defende com paixão a cultura de um ser divino, mas não consegue ter paixão por si mesmo e pelo próximo. Isso não vale nada, absolutamente nada.

Não vejo mais que uma doença alastrando-se por entre as entranhas de uma sociedade educada na base da loucura divina. Não vejo mais que um povo idealizando toda uma vida, idealizando uma pós-vida, idealizando o próprio escorrer da vida nesse rio de contradição. Um rio que corre ao contrario e desemborca na linearidade do infinito indecifrável.  

Como uma ovelha que pasta em determinado lugar e dai a pouco esquece onde pastou e pasta novamente e esquece novamente. Seria menos doloroso se o ser humano não lembrasse do ontem, somos saudosistas ao extremos, sofremos com isso, minamos a tristeza pela perda. Com a perda nasce muitas vezes a solidão e a solidão leva-nos até o ontem. A raça humana é uma raça dramática, para tudo um drama diferente e infindável, a vida passa e o drama só aumenta carregamos a vida inteira o fado pesadíssimo da aceitação das coisas como são ou como foram moldando-se até aqui. A conformidade nunca foi um prato de sabor apreciável, as coisas quando tratadas com complacência tornam-se enfadonhas com toques de inutilidades.

Deveria sob o túmulo do primeiro santo, enterrar essa farsa de paixão monopolizada sustentada pelo escambo divino. Deveríamos esquecer a ideia do todo e começarmos a compreender as partes, todas as partes, o individualismo carrega o peso da tristeza muita vezes mastigadas. Deveríamos limpar o espírito todas as manhãs depois do ontem, uma terapia de risco, uma terapia a grosso modo necessária a muitos espíritos de porcos. Deveríamos trocar a decência pela indecência pelo vandalismo do que foi considerado decente até hoje. Deveríamos repetir diversas vezes outros gestos ao em vez de ajoelhar-se ou levantar as mãos para nada no céu, estender a mão para aquele que precisa independente de fatores econômicos, ajoelhar-se para plantar uma arvore preservando com mais responsabilidade aquilo que nos mantém vivo, respeitar para toda vida esse é o verdadeiro ensinamento.

Uma criança nasce e é levada a crer, outra criança nasce e também é levada a crer e assim várias outras crianças nascem e são levadas a crerem naquilo que a maioria creem. O verbo crer deveria ser substituído por dois outros verbos nessa corrente infinita: encontrar e praticar. Então uma criança nasce e é designada a encontrar o que ela acredita e ao encontrar ela passa a executar aquilo que acredita, ela passa a praticar tudo que colhe de sua infinita procura. Quem pratica o que desenhou para si bem ou mal segue o princípio do espírito inicial, do eu sou aquilo que me fiz desde o início. Essa é a ligação que deveríamos estabelecer entre todos e o mundo. Então eis mais um ensinamento: derivar tudo aquilo que encontro.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Sociedade idiotizada

A sociedade que usa os dedos para pensar ao em vez da cabeça.




sexta-feira, 6 de setembro de 2013

A solidão




 O Solitário

“Odeio seguir alguém tanto quanto dirigir.
Obedecer? Não! E nunca, nunca – governar!
Quem não é terrível para si mesmo, a ninguém saberia inspirar terror:
E só aquele que o inspira sabe dirigir os outros.
Já me é odioso alumiar-me a mim mesmo!
Gosto de me perder um tempo,
Como os animais silvestres e marinhos,
Agachar-me em algum labirinto charmoso,
Por fim, de longe, chamar-me pouco a pouco a casa –
Para regressar a mim, e eu mesmo – me seduzir.”

                                          NIETZSCHE



Quem? O papa?



O novo papa pode ser um humanista além do esperado, mas não posso me esquecer o que a religião e o Vaticano casou e causa. A pessoa íntima do papa me agrada, mas o que ele prega, o que ele aceita, o que toma como privilégio é inconsequência pura. Nenhum ser deve ajoelhar-se diante de outro ser se ninguém é mais do que ninguém. O ato de curvar-se diante de outro ser é escravidão pura, é impossível de digerir.

O ato de ajoelhar-se diante do outro significa: Estou em suas mãos, manipule-me.

domingo, 1 de setembro de 2013

O dilema do sistema de ensino no século XXI



Quem são os verdadeiros educadores hoje?
O que se quer saber na verdade é se existem condições para se formar ainda verdadeiros educadores. Os últimos educadores comprometidos com a arte de educar que se tem evidência foram lá do final do século passado para inicio deste século. Só aqueles educadores anteriores aos anos dois mil tem alguma coisa a ensinar. A educação nunca foi tão desmerecida mesmo sendo alvo de tanta discussão, talvez seja porque discutimos de mais sobre o que fazer e esquecemo-nos de melhora-la.

Em quinze anos vimos à educação rastejar, em quinze anos não se fala outra coisa se não “um país só cresce se investir na educação” nunca saímos disso, nunca pagamos pra ver valer essa máxima, nunca apostamos um centavo se quer nessa máxima, vira e mexe estar-se a mendigar outra vez por paliativos que surtam ilusórias melhorias. O sistema de ensino brasileiro é uma bagunça, as escolas em ruínas, educadores mal remunerados, péssimas qualidade dos formandos em licenciatura, ruptura no sistema de seleção natural dos melhores é o mercado agora que seleciona, e seleciona mal, pois querem pessoas qualificadas e não educadas, instruídas, preparadas.

A crise do saber carrega junto à crise do ser, a crise do permitir deixar-se manipular pela tecnologia. Tudo tem um limite. O ser humano não pode deixar de pensar porque a maquina faz isso por ele. É, é isso mesmo o ser humano deixou de sentir-se obrigado a pensar e uma febre chamada idiotia tem dia após dia se firmado entre nós. É uma doença quase imortal ela se alastra por meio das tecnologias portáteis, infiltra-se em seu celebro, amolece-o de forma a deixa-lo completamente demente, dependente em completa idiotia mesmo a ponto de passar horas em um mesmo lugar mexendo apenas os músculos dos dedos com series incontroláveis de repetições que acabam atrofiando-os. Engraçado, somos manipulados por tecnologias todo tempo, na sala de aula o professor discorre sobre um assunto interessante o telefone toca você sai para atender, ou sua atenção está voltada para as fofocas das redes sociais nos tablet e notebooks, ou jogar virtualmente seja mais interessante.

A tecnologia nos domina porque permitimos no exato momento que decidimos ser mais importância dar atenção a um simples aparelho celular do que a uma conversa legal entre amigos, um debate importante em sala de aula, uma conversa com o professor ou com os pais. Ela nós domina porque ainda não aprendemos a verdade sobre o saber. A educação é refém das tecnologias portáteis por isso tem que se repensar em maneiras de dominarmos ela e não ela dominar a humanidade. É a questão do vicio, você acaba fazendo isso tantas vezes por dia que fica dependente, torna-se parte da sua rotina imperceptivelmente, seu cérebro vai se tornando inútil, acostumados às facilidades, o cérebro logo começa a falhar rotineiramente e então manifestar-se a idiotia que se alastra rapidamente por entre seus hábitos diários e na verdade é assim que quer o mercado mais pessoas dependentes dela. Informatização uma das nossas grandes conquistas e a única que nos destruirá.