domingo, 19 de maio de 2013

Nas grandes cidades






Uma latinha. Inúmeras latinhas. De nada serve uma latinha. Engano. O indivíduo consome o líquido de uma latinha e joga-a no lixo ou na rua, de nada serve para ele a latinha vazia. Pagou apenas pelo líquido, bebeu todo o líquido e nem imagina a importância da lata para um contingente de famílias sobrevivendo do trabalho de catá-las, de sair puxando um carro feito burro de carga pelas ruas da cidade, pelas grandes lixeiras da cidade todos os dias sem poder ver o suor cessar em seu rosto humilde e dilacerado, sem repulsão de tocar no lixo fétido, no lixo sujo, no lixo lixo.Vejo ai à grande luta pela sobrevivência onde a questão do sobreviver gira em torno das latas, das inúmeras latas espalhadas, espremidas, amassadas pelas ruas, formando a única solução de famílias sem perspectiva. Uma latinha. Inúmeras latinhas.

O que é uma latinha que se toma tão importante e responsável pelo largo sorriso de uma criança com o pão na mão ou no teto que ampara tantas cabeças? A dimensão disso é que uma latinha pode tapar um buraco no estômago de uma criança chorosa. Uma latinha e tantas famílias têm a possibilidade de se refugiar em uma vida digna indiferente do esforço e das condições expostas, indiferente do vinculo de uma atmosfera imunda de disputa de poderes. O que é uma latinha? É o alinhamento das perspectivas nos sonhos de alguns indivíduos que encontram nesse meio, sua sobrevivência. E como isso já é grandioso sendo valido o total esforço imprimido. Uma latinha. Varias latinhas, o indivíduo bebe seu conteúdo e se quer sabe que a sobra é bem mais importante.

Nenhum comentário:

Postar um comentário