domingo, 10 de março de 2013

Aurora esmaecida




 Houve um tempo que o amar a sabedoria gritava e pululava no ego do individuo afoito por conhecimento. Os considerados grandes no quesito saber ou de certa forma os grandes pensadores da humanidade nunca imaginariam que a caçada ao saber chegaria ao marco zero de descaso total, que chegaria a tão profundo e escurecido pântano.

A educação moldada para o estado é merecidamente denominada de a educação desnutrida das auroras esmaecidas. O mundo inteiro está passando por uma crise de valores a começar por uma crise no sistema de pensar por si só com a mesma autoridade dos antigos. Ninguém consegue mais estabelecer um método viável para se aprender novamente sem desaprender excessivamente com as novas ideologias.

É mais ou menos assim: o tempo vai passando e o ser humano é o fator modificador do meio que o cerca. Ele, e somente ele é capaz de mudar o percurso de algo que o aflige dentro de suas limitações e tornar esse algo melhorado ou arruinar em definitivo. Cada um de nós tem em cada aurora a possibilidade de tomar uma posição que impulsione o que está perdendo a força. O educar para evoluir, pelo menos nesse pobre país ainda não é visto como raios virgens do primeiro sol em uma aurora qualquer.

Dói saber que daqui a alguns anos o homem deixara de pensar por si mesmo. As máquinas farão isso. Já estão fazendo. Aliás as máquinas tomarão o controle. Por que se o próprio ser humano não confia em sua capacidade de pensar e cria máquinas para realização de tarefas diversas com mais agilidade e velocidade. É evidente que por não confiar muitos em seu sistema emotivo e carregar firmemente o ócio em suas inquietações criarão máquinas para pensar por eles. Assim, eles os seres humanos deixarão de construir, de pensar, de criar, de evoluir-se. 

Somos escravos de mecanismos criados pelo capitalismo com um único fim: dominar, controlar, enricar. A educação é refém do capitalismo, é constantemente pisoteada pelas novas formas de adquirir conhecimento. O aprender deixou de ser eficaz e seguro. Hoje você desaprende aprendendo. Não se conhece nada, não se sabe nem o simples, se quer se sabe. O que se almeja é uma rápida ascensão, um papel atestando aptidão para algo que nem mesmo o dono do papel sabe se está apto, um tapinha nas costas, uma boa retórica, pronto temos o tipo de profissional moldado para exercer e repassar o que aprendeu dentro dos padrões de uma cadeia global não muito exigente como devia mais muito apressada.

Somente o educador formando antes dos anos 2000 tem alguma coisa a me ensinar, de resto são apenas máquinas programadas para ganhar dinheiro, máquina que oferece em troca de mixarias. Os educados antes dos anos 2000 não tinham a tecnologia mais atrapalhando do que ajudando no processo de formar bons profissionais. Eles eram livre dessa tecnologia viciante que tem simples e objetivo papal: tornar as pessoas mais burras e insignificantes do que já são, retardar o conhecimento, alienar uma maioria e calar o restante. Se pensam que a educação é a única forma de melhorar esse país moralmente em termos gerais para uma futura ascensão mundial é melhor esquecer. A educação é como um mendigo jogado nas calçadas sujas, muitos enxergam a necessidade de ajudar, vão lá e se esforçam pelo menos com atitudes tentam tira-lo dessa situação, mas existe uma minoria poderosa que não se interessa, passa, olha e finge que não viu. A nossa educação mendiga nas calçadas do desmerecimento. 

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