quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

O eu que já se foi



 
Eu não sou mais aquele menino sentado à beira da estrada saboreando a vida.
Eu não sou mais aquele sonhador esquecido na terra do imaginar sem fim
Eu não sou mais aquele garoto com seu velho cão a brincar no quintal de casa.
Eu não sou mais aquele adolescente em cima do muro vendo sua primeira mulher nua.
Eu não sou mais aquela figura imaginativa a olhar pra lua em tempos de febre no laço familiar
O que tenho agora além do copo de cerveja e da memória rasgada, indesejada pelo próprio eu?
O sentimentalismo se foi desconfigurado, vagando na infernal arte de sobreviver.
Eu não tenho mais a certeza de dias melhores
Eu não tenho mais a paciência em meus braços
Eu não sou mais a flecha viajando em direção ao alvo
Eu não tenho mais o arco, perdeu-se em meio à bagunça existencial.
Eu não carrego mais o lampião entre corredores escuros
Eu não sou mais iluminado pelo lampião
Eu não sou mais o menino;
Eu não sou mais o garoto;
Eu não sou mais;
Eu não sou
eu
 

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