domingo, 16 de setembro de 2012

A canção dos miseráveis



O tédio martela a paciência e despeja na alma um desgosto pela vida.
E os miseráveis cantam uma cantiga triste e sem beleza musical.
Os miseráveis cantam a canção dos desesperados em uma vida
Lampejada de febres ocasionais no ambiente contaminado pela
Doença da humilhação e da insanidade congênita.

A fome de justiça é insaciável, o mel da liberdade convalescente
É inalcançável, o prazer e a dor são as únicas formas de provar
A fragilidade dos semideuses, e isso os tornam depressivos.

A solidão devasta fronteiras inteiras de desejos e o que resta
São apenas cinzas na alma deserta do ser humano. Os miseráveis
Cantam iludidos por uma promessa de bem aventurança mal digerida,
o conformismo barato corta as veias de compreensão
Do homem previsível e insano.

Os miseráveis cortando ruas, escuras ruas a procura de um
Super-herói que possa guardar suas lamentações, a procura
De uma liberdade divinizada e nada encontram, nada ofusca
Diante de tantos olhares ingênuos e perdidos, nada, pois além
das ruas o mundo é grande e destemido.

Os miseráveis cantam uma canção sem-fim, longínqua, monótona,
De poucas vozes, de muitas dores, de muitas idas e vindas,
de muitas lágrimas, de muita paciência e solidão. Os miseráveis
cantam uma canção de esperança, redenção e culpa
nas escuras ruas da vida.

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