domingo, 23 de dezembro de 2012

O jovem viajante





Certa vez em uma cidadezinha provinciana um jovem viajante passando admirou-se com os grandes templos religiosos que ainda haviam por lá. Ao passar por um que estava aberto a celebrar uma missa entrou e sentou no último banco permanecendo até o fim. Quando a missa terminou todos saíram, mas ele ainda permaneceu algumas horas olhando para a estrutura do templo, onde na parte superior haviam desenhos antigos e góticos, então ao levantar o padre que celebrara a missa o abordou:

- Você não é das redondezas meu jovem?

- Não.

- De onde você é?

- Sou do mundo.

- Percebi você entrando no recorrer da missa e ficar até o presente momento, vejo que gostou da igreja.

- É, é uma estrutura muito antiga, porém muito bela. Os desenhos góticos na parte superior, as portas e janelas nos lembram a idade média. Não sabia que ainda existiam estruturas como essas nos dias de hoje.

- Os desenhos são inspirados no modelo bizantino, por isso o ar de idade média. Com relação a sua admiração por ainda existirem templos como estes, fique você sabendo meu jovem que esses templos nunca deixarão de existirem, eles são as casas de deus. Espero que tenha gostado da palavra também, pode vir mais vezes se quiser, é confortante.

- Não, não, estou só de passagem avistei o templo aberto resolvi olhar como é essa terapia milenar de tranquilizar as pessoas com ilusões. É bem engraçada a forma como as pessoas acreditam.

O jovem então saiu e continuou seu caminho pelo mundo. Ele ficou surpreso em ainda existir templos como aqueles e mais surpreso ainda com a quantidade de pessoas que buscam essa terapia.  


                                                            São Vicente, dezembro de 2011

Perdendo o encanto





A arte de ver, analisar e compreender as coisas subitamente até certo ponto onde a clareza acaba por esgotar toda beleza em si, toda expectativa, toda súbita ideia de prazer e contemplação e tudo perde o encanto de outrora. A ilustração, o desenho de algo belo e fantástico, a concepção de sublime nos faz perder a essência do real e do imaginário, na verdade já não sabemos mais o que é real o que é imaginário. Percebemos então o movimento continuo das coisas, da mais ínfima partícula ligada a esse mundo. Percebemos que nada é o que parece, que tudo é pura aparência, que as nossas mais intimas verdades não passam de idealizações particulares sem o mínimo de verossimilhança.

O sonâmbulo compenetrado em sua não percepção do abismo em frente, caminha diretamente para o abismo dentro de si, esse largo abismo das verdades insanas. Qual o prazer da vida? O real prazer da vida? A guerra depois que termina, a dor depois que sara, a beleza que se transforma em repudio e esquecimento, o ódio, a ternura, a doce ternura da virgindade contemplativa do nascente e a inocência dos que morrem pelo esgotamento total da vida, tudo isso nos garante a certeza da sublimidade e da aceleração demasiada do desencanto.

O veneno da vida são as paixões intensamente mal vividas e mal formuladas pela consciência do individuo.

A arte do não ser




 Dou as costas e vou embora, a dez metros olho para traz, aceno para alguém e falo alguma coisa do tipo: “às horas do século asfixiam”, o tempo é um velho companheiro e o horizonte me faz pegar a estrada. É essa a imagem que tem me acompanhado a alguns dias.

O pensamento que caminha em mim a procura de libertação percorre não só a existência frívola dos dias seguintes, mas os tormentos do ontem indigesto e os terremotos do aqui e agora. Existe queira ou não um mar aberto a tua espera. Para que o pensamento te leve até esse mar você precisa carregar a unicidade espiritual que os pássaros carregam. Você não é pássaro sabe disso, você não passa de sonhador, nada mais...


Nascer surte efeito não em longo prazo, mas diariamente, vinte quatro horas por dia, soluçando, bocejando, convulsionando o convencional. Ninguém é dono de ninguém, o tempo está presente e minha vida dissipa-se assustadoramente. É bem verdade que a vida se tornou ociosa. A um tédio muito grande por traz de sua construção e de sua passagem gradual em torno dos acontecimentos. A vida passada a limpo é uma verdadeira vergonha e viver se tornou impossível? Não. “Ainda é possível amar a vida só que a ama como se ama uma mulher a qual se desconfia”


A arte de ser escancarada em um quadro torto sem molduras na parede cinza da sala de estar, cujo, artista se julga a caráter de receber todas as honrarias que lhes são de direito. Mas esse artista é também um destruidor, pois ao mesmo tempo em que cria destrói o que era para não ser.

domingo, 16 de dezembro de 2012

A arte de derribar pedestais - IV

Por que a moda agora é humanizar por cima de pau e pedra, danem-se os inocentes, danem-se as vítimas, dane-se o que é justo aos olhos da humanidade, dane-se a justiça, dane-se tudo, o que importa agora é humanizar e enquanto se humaniza caem os céus dos que só queriam a vida por alguns instantes. Não se torna humano o que não nasce humano, mesmo com todas as características.




P.S: Uma ligeira reflexão sobre o massacre nos EUA.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Acerca dos princípios


Ilegal!
cada um carrega o que pode...
Os princípios afogam-se nos mares da fome.

Trotil ós Estalinhos, 3 de fevereiro de 2011 10:12



Errado! Se o ser humano ainda almeja buscar alguma coisa de útil em seu semelhante ou se almeja não igualar-se a ele em certos conceitos que levam para traz é de fundamental importância os princípios. Mesmo que não seja para buscar alguma coisa que valha a pena, mas os princípios é porta voz de um ser sucinto e equilibrado. Um mundo mais humano necessita de princípios meu caro e ainda há quem não permita o afogamento dos princípios nos mares da fome.

Jânio Lima, 3 de fevereiro de 2011 10

sábado, 27 de outubro de 2012

Observações

Poucos são os seres que nascem para arte poética e menos ainda são aqueles que conseguem distribuir em poucas linhas a verdades das coisas.

A arte de derribar pedestais - III

Toda nossa construção do existir baseou-se até agora em conceitos mumificados do saber. O mundo sempre foi levado a crer, sempre foi conduzido para a “água em vinho”, para “o pai, o filho e o espírito santo”, o ser humano sempre pensou para traz, logo, passa-se a enxergar de imediato certo parentesco com o caranguejo.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Uma pequena ponderação sobre o Pondé

Ouvir o PONDÉ falar é um verdadeiro martírio para os meus ouvidos. È preciso um pouco de autenticidade para falar por si só e ele não tem essa autenticidade. Ele fala com um alto ego enjoativo, ele é um verdadeiro chato, mastiga uma filosofia atual sem sal, ou melhor, dizendo sem tempero algum. Não só ele mais uma maioria dessa atualidade de pensadores que cutuam uma filosofia póstuma.

domingo, 16 de setembro de 2012

A canção dos miseráveis



O tédio martela a paciência e despeja na alma um desgosto pela vida.
E os miseráveis cantam uma cantiga triste e sem beleza musical.
Os miseráveis cantam a canção dos desesperados em uma vida
Lampejada de febres ocasionais no ambiente contaminado pela
Doença da humilhação e da insanidade congênita.

A fome de justiça é insaciável, o mel da liberdade convalescente
É inalcançável, o prazer e a dor são as únicas formas de provar
A fragilidade dos semideuses, e isso os tornam depressivos.

A solidão devasta fronteiras inteiras de desejos e o que resta
São apenas cinzas na alma deserta do ser humano. Os miseráveis
Cantam iludidos por uma promessa de bem aventurança mal digerida,
o conformismo barato corta as veias de compreensão
Do homem previsível e insano.

Os miseráveis cortando ruas, escuras ruas a procura de um
Super-herói que possa guardar suas lamentações, a procura
De uma liberdade divinizada e nada encontram, nada ofusca
Diante de tantos olhares ingênuos e perdidos, nada, pois além
das ruas o mundo é grande e destemido.

Os miseráveis cantam uma canção sem-fim, longínqua, monótona,
De poucas vozes, de muitas dores, de muitas idas e vindas,
de muitas lágrimas, de muita paciência e solidão. Os miseráveis
cantam uma canção de esperança, redenção e culpa
nas escuras ruas da vida.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A educação de hoje é um nojo


As universidades viraram recanto de mentes ocas. As pessoas não sabem o que querem, não tem nenhuma afeição pelo saber é apenas o diploma e a vontade escancarada de aparecer que determina o ingresso dessas cabeças atormentas pelo vício da banalização nas universidades.

Há dois séculos existia certa vontade de conhecimento que ultrapassava a ganância do capitalismo e a vaidade sexual. Essa vontade simplesmente morreu com o avanço da tecnologia, o aceleramento do aprendizado, a péssima qualidade de ensino e muito mais pela necessidade do consumo implantado pela sociedade pós-moderna. Tornaram os jovens de toda parte inconsequentes, irresponsáveis, desinteressados e destruidores do saber. 

Na verdade deixamos de ser aquela raça afoita pelo querer responder a tudo, hoje não se encontra um filosofo de respeito se que em formação, não se encontra um universitário com seriedade na face, eles não levam nada a serio, a tecnologia e a facilidade que as maquinas proporcionam deixaram-nos burros, totalmente dementes. Deixamos o habito de querer aprender morrer com a geração passada e então passamos a acelerar o processo de formação, diminuindo o conhecimento, sem contar que os educadores de hoje é uma vergonha, eles titubeiam, querem a todo custo se passarem por mestre de primeira grandeza, mas não passam de afundadores do saber, não passam de coveiros de uma educação em estado de decomposição, são abutres dessa carniça de ensino que se prolifera por toda parte. 

E esse círculo vicioso é infinito. Educadores de péssima qualidade levam a um ensino decadente que formam universitários deploráveis e consequentemente profissionais enojáveis.