domingo, 28 de agosto de 2011

Do conto O HORLA Gui de Maupassant

Desde que o homem começou a pensar, desde que conseguiu expressar e anotar os pensamentos, tem-se sentido próximo a um mistério inacessível a seus sentidos incompletos e imperfeitos. Procura, então, suprir a ineficiência dos sentidos por meio do intelecto. Enquanto o intelecto manteve-se em um estágio rudimentar, as aparições dos espíritos invisíveis assumiam formas comuns, embora assustadoras. Daí surgiu a crença popular no sobrenatural, as lendas das almas penadas, fadas, gnomos, fantasmas, posso mesmo dizer, a lenda de Deus, pois nossa concepção do artífice-criador, seja qual for a religião que no-la transmitiu, é certamente a mais vulgar, estúpida e inacreditável invenção que já saiu do cérebro amedrontado dos seres humanos.

Do conto O HORLA Gui de Maupassant

O populacho é um imbecil rebanho de carneiros, de uma paciência estúpida ou com uma revolta feroz. Digam-lhe: "Divirtam-se", e o povo se diverte. Digam-lhe: "Vão lutar com o vizinho", e o povo vai e luta. Digam-lhe: "Votem pelo imperador", e o povo vota pelo imperador. Então digam-lhe: "Votem pela República". E o povo vota pela República.Os que dirigem o povo também são estúpidos, só que, ao invés de obedecer aos homens, obedecem aos princípios que só podem ser estúpidos, estéreis e falsos, pela simples razão de serem princípios, isto é, idéias consideradas como certas e imutáveis, neste mundo, onde não se tem certeza de nada, já que a luz é uma ilusão, já que o barulho é uma ilusão.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O silêncio da boca devastadora




O que mais devemos temer são as bocas silenciosas, as línguas mumificadas, o pouco interesse das expressões faciais, o semblante pálido e tímido. O que mais alegra meus ouvidos são os trovões inesperados que saem das bocas tímidas. A grande fera liberada. Como um urso depois de um longo inverno que sai de sua toca faminto para caçar. Não ver medo nos olhos, não sente qualquer repudia em palavras, o brado mais pavoroso em verdade e fúria sem qualquer parcimônia pelos momentos de silêncio absoluto.

O que mais temo em um homem é seu silêncio, o homem pensante a maioria das vezes carrega o silêncio no mais alto grau de fidelidade, come todos os ensinamentos, reprime o revidar até certo ponto e solta o trovão dos mais agudos quando tocam em seu ponto mais fraco, em seu calo mais doloroso, quando alguém tenta de forma descabida distorcer seu caminho. A lucidez fala por ele, a decência e a clareza tornam-no inatingível e inequívoco, a autenticidade revela-se e não mais desaparece. Espero sempre ouvir um ser silencioso trovejar, mas em tempos de euforia midiática, de venda de imagem, de alvoroço hormonal tão pouco vejo seres com instintos trovadorescos.

sábado, 13 de agosto de 2011

A África de sempre


Não existe imagem mais dolorosa do que essa. Este Queniano chora pela morte de sua irmã de um ano por fome, é de mais para os meus olhos. A África sofre a pior crise de fome da história e conta com a ajuda de todos os países para saciar sua fome em um momento de crise nos Estados Unidos e nas bolsas de valores dos países da Europa, Ásia e América Latina. A vida é isso ai enquanto uns choram por falta de sustentação, vândalos ingleses destroem suas cidades por simples ignorância. O sofrimento na África ultrapassa os limites da simples razão. Infelizmente esse não será o último choro desse Queniano.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Tempo camuflado de ontem




Lá fora hoje é um dia frio
O tempo anda tão frio ultimamente
Sei lá um tempo tão mentiroso, falso ao extremo
Já não é mais a hegemonia do improvável,
agora tudo tem seu conteúdo escancarado apressadamente.
O provável não se discute mais sob dúvidas e anseios.
A um clima de insegurança no ar, a um muro de balburdia
Se formando entre as nações, os bárbaros estão próximos do retorno.
A violência, a desordem, o desrespeito isso tudo são sintomas
De uma guerra recém iniciada de inversão de valores,
Estamos novamente tomando o rumo errado e a história se fará
A mesma sob sangue e ossos.
A terra treme, o homem com seu caráter e impulsão para guerra não muda.
As novas tabuas que Nietzsche mencionara não vieram ou ainda não funcionam.
Os velhos trovões dos instintos continuam assombrando a maioria.
O sagrado é uma vergonha e a fé uma flor em fim de primavera.