sábado, 16 de julho de 2011

Deus, entre outros inconvenientes

Um cacique, portanto, sob as vestes de um economista de Chicago. Essa é, de fato, a única imagem moral com a qual consigo representar o pai eterno a partir de sua descrição na bíblia e nos evangelhos. Ou seja, se a história é mesmo verdadeira, eu estou definitivamente frito.

Retirado do livro Deus, entre outros inconvenientes  Xavier Rubert de Ventós

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sussurros

Meus olhos enxergam e aceitam o pequeno com tamanha grandeza
e importância que vai além da minha própria racionalidade.
O pequeno que a maioria das vezes é desprezado pela manada
Simplesmente por que leva em si a repulsão da aparência.
E é basicamente nisso que me atrai o pequeno.

O pequeno, não o simples a uma larga diferença
de ideias entre essas duas palavras.
A sempre que desconfiar quando
uma maioria toma o mesmo caminho
e esse mesmo caminho tem uma certa
pequenez de valores levados
a sério como verdades absolutas.
Não se deve tomar nada como absoluto,
de absoluto temos apenas a morte,
mas não impede que tenhamos a lógica, o racional
Direcionado na melhor posição da bússola do pensamento
que é a parte provável de certa veracidade.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Burburinho do silêncio




Que todos gritem com o fervor da vida
Que todos zombem;
Pulem;
Vibrem;
Aplaudam;
Que todos marchem até o esplendor
Nos trilhos que levam a lugar nenhum.
Alguns choram outros dançam;
Muitos falam outros mentem;
Poucos voltam à multidão permanece
No gozo da vida sem vida.
Um estalo;
Um estouro;
Um grito;
Uma gargalhada.
Ouço apenas o silêncio. Mais nada.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Criação de Deus como Trovão aos Instintos

Uma obrigação para com Deus: esta ideia foi porém o instrumento de tortura. Imaginou-se Deus como um contraste dos seus próprios instintos animais (do homem) e irresistíveis e deste modo transformou estes instintos em faltas para com Deus, hostilidade, rebelião contra o «Senhor», «Pai» e «Princípio do mundo», e colocando-se galantemente entre «Deus» e o «Diabo» negou a Natureza para afirmar o real, o vivo, overdadeiro Deus, Deus santo, Deus justo, Deus castigador, Deus sobrenatural, suplício infinito, inferno, grandeza incomensurável do castigo e da falta. Há uma espécie de demência da vontade nesta crueldade psíquica. Esta vontade de se achar culpado e réprobo até ao infinito; esta vontade de ver-se castigado eternamente; esta vontade de tornar funesto o profundo sentimento de todas as coisas e de fechar a saída deste labirinto de ideias fixas; esta vontade de erigir um ideal, o ideal de «Deus santo, santo, santo», para dar-se meçhor conta da própria indignidade absoluta... Oh, triste e louca besta humana!

A que imaginações contra natura, a que paroxismo de demência, a que a bestialidade de ideia se deixa arrastar, quando se lhe impede ser besta de acção!... Tudo isto é muito interessante, mas quando se olha para o fundo deste abismo, sentem-se vertigens de tristeza enervante. Não há dúvida de que isto é uma doença, a mais terrível que tem havido entre os homens e aquele cujos ouvidos sejam capazes de ouvir, nesta negra noite de tortura e de absurdo, o grito de amor, o grito de êxtase e de desejo, o grito de redenção por amor, será presa de horror invencível... Há tantas coisas no homem que infudem espanto! Foi por tanto tempo a terra um asilo de dementes!

Friedrich Nietzsche, in 'A Genealogia da Moral'