domingo, 30 de janeiro de 2011

Saramago e eu

Eu me considero o náufrago de um barco que afunda. A pessoa está a ponto de se afogar, mas há uma tábua a que se segura. É a tábua dos princípios. Todo o resto pode desmoronar, mas, agarrado a ela, o náufrago chegará a uma praia. E, depois, com essa tábua, poderá construir outro barco, evitando cometer os erros de antes. Com esse barco tentará chegar a outro porto.

                            José Saramago, do livro As palavras de Saramago

Sempre carreguei comigo o pensamento de que um ser de princípios nunca se afoga em um mar de falsidade, mentiras, desilusão, irresponsabilidade, canalhice, em fim no mundo inteiro. É preciso princípios para viver fora de tudo isso e principalmente não afundar para ancorar sempre que puder em um porto de humanismo verdadeiro.
                                                                                         Sedentário

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O artífice superior


O artesão em seu momento de criação busca sempre a perfeição, para ele não serve um objeto mal acabado, torto, desviado de sua forma natural. O artesão trabalha para criar um objeto que cause espanto de tão perfeito, que roube os olhares dos admiradores, que torne a imagem do criador referência na arte em si. Se o objeto acabado fica imperfeito o artesão cuida imediatamente de acertar suas imperfeições, pois ele é o criador, logo ele sabe como tirar as imperfeições. É assim com os engenheiros, com os pintores, com os carpinteiros é assim com todos os criadores. Todos buscam a sublimidade de cada criação em particular, por que só serão reconhecidos e aplaudidos se a criação tiver um toque de perfeição. Então surge a pergunta: aonde ele quer chegar com tudo isso? Quero chegar ao cerne da questão referente à Genesis. Não posso aplaudir um criador todo poderoso tomado como supremo que não teve a competência de criar seres perfeitos, ah tá! Pode ter havido um problema com a mágica e alguns saíram imperfeitos, mas ele é o criador logo ele sabe e pode concertar as imperfeições, ele tem o poder para isso, assim como um artesão pega o jarro que sai torto e consegue dar formas diferentes o criador supremo e todo poderoso poderia ter alinhado ou atribuído formas menos monstruosas em um Hitler talvez ou não? A imaginação segue causando espanto...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Quando os homens choram


Consigo enxergar uma ponta da verdadeira dor no homem. Àquela que nasce do medo e também da covardia indecente. Quando eles põe as lágrimas para fora despejam junto uma certa vontade de piedade, mas a também aqueles que despejam líquidos inflamáveis por que passaram a habitar uma camada de lama e esses choram pela renovação, pela vida limpa, pela vontade de limpeza da alma e do corpo. O choro é a resposta explícita para os que têm asco da expressão piedosa do rosto, para os homens forte que sentem vergonha de molhar o rosto, para os pais machões que dizem para os seus filhos “só as mulheres choram” o choro bate na cara do homem forte e fraco. Não vou mentir que vejo no choro a fraqueza e causa danos a alma do homem robusto, mas não posso ter a audácia de dizer que não choro ou que nunca chorarei.

Imagine então assistir o choro de um carrasco. Eu nunca assistir mais posso afirmar que a profissão dele acaba no exato momento em que a primeira lagrima cai, a primeira lagrima é como o primeiro contato com a água fria quebra-se totalmente o vínculo com a parte quente em que se estava. As lagrimas caindo e lavando a alma do ser sujo é como a chuva torrencial nas ruas da cidade levando o lixo para o esgoto. Chorar pode representar falsidade no mais extremo processo de enganar seus telespectadores, chorar pode ser a dor de querer o impossível, de fingir ver e não ver, do ter e não ter, do está para lá da arrogância sentimental e do bom costume cerimonial da união dos seres, chorar pode vir a ser o medo que aperta os olhos na hora da morte, na contração ou rompimento dos músculos ou da carne. O homem chorando pode representar o novo em sua esfera de acontecimento acontecendo verdadeiramente ou o primeiro passo para uma violenta reviravolta e um desastroso caminhar para traz sempre repetindo a palavra “vingança” ou “a culpa é sua”.

Não consigo ver no homem é a inocência que só uma criança possui, mas quando ele chora não sei distinguir entre ele e uma criança, mesmo com toda falsidade exposta no rosto. Chorar para o ser humano significa arrependimento e quando se chega a isso forma-se outro ser, incapaz de enxergar a vida como ela realmente é, infelizmente ele perde a coragem e a vontade em troca da força e do arrependimento divino. Dessa forma para cair em uma armadilha não precisa dar mais que dois míseros passos. O choro do cansaço físico ou mental, da dor assolando o corpo físico ou sentimental, da vida que é de mais perversa para alguns infelizes, esse choro sim é aceito, mas o choro do arrependimento para mim é sinal de fraqueza, de incapacidade, de vontade de cair. O arrependimento muitas vezes é o alimento dos trocistas, dos canalhas e dos homens de batina.

Deve-se apenas chorar. Por que chorar faz bem para alma concreta e nunca fazer o que leve ao arrependimento, pois no arrependimento é onde está a lama da vergonha, da mentalidade duvidosa, do erro, da convulsão de piedade quixotesca. Chorar pelo motivo da dor ser demais para aguentar simplesmente, chorar por que o pensamento difícil de suportar vem à luz e deixa-o deprimido, chorar por que é preciso libertar do peito algumas dores descontroladas. Quando os homens choram vejo duas coisas: liberdade ou falsidade aliada a certo arrependimento sem justa causa.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

A corrida de táxi de PAUL ARDEN


Do livro EXPLICANDO DEUS NUMA CORRIDA DE TÁXI do escritor e publicitário PAUL ARDEN. Autor do best-seller mais vendido no mundo TUDO O QUE VOCÊ PENSA, PENSE AO CONTRÁRIO. O que pelo título já se pode imaginar o tamanho da hipocrisia.


O que acontece nessa corrida de táxi é o seguinte: o homem, o publicitário, o mito da ignorância mundial dono do livro mais vendido no mundo inteiro, esse escritor fantástico com sua genialidade fora do normal, com uma mente jamais vista, com uma capacidade de convencimento inexplicável acredita ter explicado deus numa simples corrida de táxi e a única coisa que ele deixa provado é a sua pequenez e a do seu deus. Continuem lendo...

A certos escritores que ultrapassam os limites de comicidade em relação à fé sustentada, penso eu que não a livro mais cômico que EXPLICANDO DEUS NUMA CORRIDA DE TÁXI de Paul Arden. O titulo já é uma afronta ridícula a toda a complexidade da vida e do universo em si e o desenrolar da história mostra que a simplicidade do Deus dele torna-o pequeno e vago. O seu pensamento em uma corrida de táxi só pende para o lado da improbabilidade da existência de um Deus seja ele qual for pela simples razão da grande complexidade do universo que seria preciso rodar o mundo inteiro de táxi para se explicar menos da metade do que existe no universo em total mistério.

"A maioria de nós precisa de algo espiritual em que acreditar. O homem não pode viver só de pão."


O típico argumento do religioso que não expande seus pensamentos em direção contrária com a finalidade de conhecer outras razões mais eficazes e lógicos. Quem falou que não podemos viver só de pão em se tratando de fé? Talvez ele não saiba mais tendo o pão por menor que seja e sem crer em algo espiritual sobrevive-se muito bem, o corpo em si só trabalha se for abastecido partindo para vertente do algo espiritual se não tem o pão, mas se tem fé são contados os dias para que seu sistema motor pare por falta de combustível. Nesse caso é supérflua a existência de fé sendo que ela não se sustenta por si só. Não precisa de algo espiritual para sustentar a existência humana visto que para eu crer em algo preciso que meu cérebro assim como o corpo esteja sempre funcionando e para que eles funcionem preciso de nutrientes com as vitaminas adequadas para o corpo. Conclusão, o pão é maior que a fé.

"Se rezamos por algo com bastante empenho e perseverança, geralmente conseguimos o que queremos."

Às vezes me pergunto quão é a arrogância das pessoas ao acreditarem que passando a maior parte da vida rezando traz algo de proveito. Acho que não seria necessária a medicina, a psicologia. Por que então perder tempo procurando uma cura para AIDS? Não deveria existir doença nenhuma, nem miséria, nem maldade pela quantidade de religião que existe na face da terra, não deveria existir nada que fosse prejudicial à vida. Se reza fosse eficaz a igualdade entre os seres seria uma virtude.

"A humanidade não quer realmente viver sem um Deus."

Na verdade a humanidade não quer aceitar a grande probabilidade da inexistência de um Deus, visto que o nada assusta, mas a realidade do universo e de Darwin não lhes deixam outras saída. A probabilidade da existência de Deus está em desvantagem, pois o avanço da ciência e tecnologia é um perigo para o clérigo, crentes, criacionistas e a maioria que crer em seres fantasmagóricos.

"A religião é uma lâmpada criada pelo homem para ajudá-lo a enxergar no escuro."

A religião foi à criação mais sanguinária e destruidora inventada pelo homem. Não, essa não foi de forma alguma uma criação para ajudar o homem a enxergar no escuro, foi criada para dominar os fracos e oprimidos, agrupá-los em rebanhos e fazer lavagem cerebral por influência de um livro de ficção. Sangue, corrupção, pedofilia, apedrejamento, mentira se isso é a luz para se enxergar no escuro, estamos perdidos.