terça-feira, 9 de novembro de 2010

O medo como redutor

Durante muito tempo um grupo de anciões de uma vila na Pensilvânia que se mantinha afastada em um completo isolamento por temer a violência das cidades vizinhas. Tinha a floresta como separação da cidade aproveitando-se desse fator os anciões com o intuito de fazer com que os moradores não fossem até as cidades de maneira alguma e baseados em um conto de fadas local os monstros da floresta contada pelo professor que também fazia parte dos anciões.


A história dos monstros dizia o seguinte: Havia na floresta criaturas medonhas que eles a denominavam de “aqueles-de-quem-não-falamos” os anciões contaram para os moradores que existia um pacto entre eles e os monstros que se nenhum dos moradores entrasse na floresta os monstros também não invadiriam a vila, no entanto se o pacto fosse quebrado pelos moradores os monstros entrariam e expulsariam todos da vila. Demarcações foram feitas entre a vila e a floresta, postos de vigilância foram erguidos vários para monitorar os supostos monstros e para que ninguém ultrapasse. Quando um morador contesta a ordem dos anciões e passa a infligir à regra, eles confeccionam uma roupa de monstro e passa assustar os moradores matando os animais da vila e deixando avisos, firmando ainda mais o medo nos moradores.

A vila é um filme que conta uma história do final do século XIX lançado em 2004, é um importante documento que põe em pauta o principal redutor, ou melhor, o principal muro de separação entre o ser humano e a verdadeira realidade renegada pela simples vontade de alimentar desejos. O medo. O ser humano não consegue de forma alguma perceber os distúrbios de um sistema que oprime por satisfação e poder. É preciso acreditar em si próprio, pois ninguém é dono da verdade absoluta, tendo em vista a vulnerabilidade das verdades tidas como absolutas. Enquanto houver duvida a ponte do conhecimento espontânea não será ultrapassada, é preciso haver liberdade espiritual, as pessoas carregam um grampo na cabeça que questiona o que é certo ou errado é preciso ter escolhas próprias, saber andar com as próprias pernas.

O medo age como redutor do conhecer, o conhecer é prejudicial e pode fazer cair muitas estruturas que se ergueram e se erguem através de mentira. Na África morrem milhares todos os anos por medo de uma autoridade papal que luta contra o uso do preservativo. Várias pessoas morreram na vila por falta de medicamentos que só existia na cidade e por conta de um medo bobo pelo simples desejo de uma minoria detentora do poder. Muitos padeceram, pessoas que poderiam ter sido salvas se não fosse o medo e a crença em fantasias. Assim como os moradores da vila, nos não enxergamos o óbvio diante dos nossos olhos e padecemos e mesmo quando enxergamos o medo levanta do seu trono e faz com que você regrida, faz com que você não saiba distinguir realidade de ficção. É preciso analisar tudo em volta, a história ao pé da letra, saber guiar-se e não ser guiado por sugadores de verdades.

Por medo se escraviza até o presente momento, por medo o ser humano finge ser feliz, por consequência do medo é que muitas batalhas foram travadas até hoje e muito sangue foi derramado. O medo é triunfo dos poderosos, dos homens de terno e gravata, dos homens de batina. É o medo que garante uma sociedade obediente a um conjunto de moral decadente do que “deves” e do que não “deves” fazer. O filme termina e o segredo continua mesmo tendo sido infligido pela filha de um dos anciões que precisava ir a cidade buscar remédio para o seu amado, o filme não transmite isso, mas o pai só permite a ida da filha para cidade pelo fato de ser cega, mesmo tendo revelado todo o segredo a ela no meio da floresta aparece um dos moradores vestidos de monstros para assustá-la e ela consegue se safar vai até a cidade consegue os remédios, não revela nada sobre a vila e volta e o filme termina. Quando algo é firmado por tanto tempo de pai para filho, pois quem detém o poder de enganar sabe que a melhor maneira é sempre começar pelos os inocentes, eles são mais vulneráveis e no futuro eles passarão de geração a geração é sempre difícil de desacreditar, mesmo tendo total razão, às vezes a persistência e a vontade de continuar mergulhado na ficção soam tão forte que é impossível abandonar, é um vicio e com tudo isso a favor os mais fortes apoderam-se dos mais fracos. Sempre foi e sempre será assim.


P.S: Texto inspirado no filme A VILA um excelente documento que mostra claramente o poder do dogma em uma pequena vila, mas que se estende em toda nossa história e também na atualidade. O medo é um dos piores obstáculos por onde o ser humano tem dificuldade em passar. É um excelente filme para analise e compreensão das hipocrisias que rodeia-nos.



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