quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Higiene espiritual

Joguei fora meus CDs cheios de misérias sonoras.
Não ouço mais os zumbidos esquecidos
sem significado musical. Ouço os grilos cantarem
em madrugadas sorrateiras e me dou por satisfeito.

Tudo que é pobre e sem o mínimo de verossimilhança
Tudo que não traz benefício espiritual na unicidade
De cada ser que procura sabedoria em virtude.
tudo que não acrescenta regride e agride desejos.

Joguei fora todos os sentimentos mesquinhos
de aceitação as coisas como elas são. Os homens
acham que pode tudo e se esquecem que não são maiores
que a natureza. Em cada ato suas vidas padecem.

Aprender a descartar o que anula um fator preponderante
É sabedoria de poucos. Buscar não no simples, o simples
Torna pequeno quem o busca. O complexo tem armadura
Contra o que é baixo, contra o que é sem formalidade.

Vim de baixo e permaneço ainda em baixo. Isso sei.
Sou da tribo do meu pai descendente dos meus avôs,
Sou filho de minha mãe que dotada de princípio gerou
A mim e meus irmãos, sou da tribo que honra os princípios.

Sem negar a liberdade de contestá-los pela razão da lógica
E pela prova incontestável. Livro-me do que não me faz bem
Mas preciso odiar o que é péssimo para enobrecer o espírito.
Acabei de jogar fora o livro que fala do carpinteiro.

2 comentários:

  1. Olá amigo! Eu também estou nesse processo de reciclagem, de jogar fora o que não presta e entrar em harmonia com meu self, o eu interior. Aceitação é para mim a palavra chave, pois cansei de lutar contra forças muito maiores que a minha. Hoje sei que uma andorinha não faz verão, e que devemos voar de acordo com nossas forças, Não tenho prazer algum em acompanhar um rebanho, então sou uma ovelha negra e solitária, e assim perpetuo a minha jornada nesse circo de horrores!
    abraços fraternos!

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  2. Belo poema. É sempre bom avaliar os nossos gostos. Abração cara!

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