terça-feira, 23 de novembro de 2010

O crucificado


“O crucificado” é o caminho dos fracos

E oprimidos, que sem espírito

Levantam as mãos para o céu e mesmo

Estando num mar de lama sentem-se satisfeitos.

As macaquices do nosso país

O Brasil é inacreditável. Enquanto um bando de desordeiros do trafico de drogas põe medo no Rio de Janeiro e em todo país, enquanto moradores de rua inofensivos são extintos em Alagoas sem defesa. Enquanto o Amazonas afunda em malária, enquanto a dengue domina todo o território nacional e a saúde publica vai abaixo. Criam-se polêmicas infundadas em cima da literatura de Lobato ou de urubus como arte, na 29ª bienal de São Paulo. “Que país é esse”?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Higiene espiritual

Joguei fora meus CDs cheios de misérias sonoras.
Não ouço mais os zumbidos esquecidos
sem significado musical. Ouço os grilos cantarem
em madrugadas sorrateiras e me dou por satisfeito.

Tudo que é pobre e sem o mínimo de verossimilhança
Tudo que não traz benefício espiritual na unicidade
De cada ser que procura sabedoria em virtude.
tudo que não acrescenta regride e agride desejos.

Joguei fora todos os sentimentos mesquinhos
de aceitação as coisas como elas são. Os homens
acham que pode tudo e se esquecem que não são maiores
que a natureza. Em cada ato suas vidas padecem.

Aprender a descartar o que anula um fator preponderante
É sabedoria de poucos. Buscar não no simples, o simples
Torna pequeno quem o busca. O complexo tem armadura
Contra o que é baixo, contra o que é sem formalidade.

Vim de baixo e permaneço ainda em baixo. Isso sei.
Sou da tribo do meu pai descendente dos meus avôs,
Sou filho de minha mãe que dotada de princípio gerou
A mim e meus irmãos, sou da tribo que honra os princípios.

Sem negar a liberdade de contestá-los pela razão da lógica
E pela prova incontestável. Livro-me do que não me faz bem
Mas preciso odiar o que é péssimo para enobrecer o espírito.
Acabei de jogar fora o livro que fala do carpinteiro.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O medo como redutor

Durante muito tempo um grupo de anciões de uma vila na Pensilvânia que se mantinha afastada em um completo isolamento por temer a violência das cidades vizinhas. Tinha a floresta como separação da cidade aproveitando-se desse fator os anciões com o intuito de fazer com que os moradores não fossem até as cidades de maneira alguma e baseados em um conto de fadas local os monstros da floresta contada pelo professor que também fazia parte dos anciões.


A história dos monstros dizia o seguinte: Havia na floresta criaturas medonhas que eles a denominavam de “aqueles-de-quem-não-falamos” os anciões contaram para os moradores que existia um pacto entre eles e os monstros que se nenhum dos moradores entrasse na floresta os monstros também não invadiriam a vila, no entanto se o pacto fosse quebrado pelos moradores os monstros entrariam e expulsariam todos da vila. Demarcações foram feitas entre a vila e a floresta, postos de vigilância foram erguidos vários para monitorar os supostos monstros e para que ninguém ultrapasse. Quando um morador contesta a ordem dos anciões e passa a infligir à regra, eles confeccionam uma roupa de monstro e passa assustar os moradores matando os animais da vila e deixando avisos, firmando ainda mais o medo nos moradores.

A vila é um filme que conta uma história do final do século XIX lançado em 2004, é um importante documento que põe em pauta o principal redutor, ou melhor, o principal muro de separação entre o ser humano e a verdadeira realidade renegada pela simples vontade de alimentar desejos. O medo. O ser humano não consegue de forma alguma perceber os distúrbios de um sistema que oprime por satisfação e poder. É preciso acreditar em si próprio, pois ninguém é dono da verdade absoluta, tendo em vista a vulnerabilidade das verdades tidas como absolutas. Enquanto houver duvida a ponte do conhecimento espontânea não será ultrapassada, é preciso haver liberdade espiritual, as pessoas carregam um grampo na cabeça que questiona o que é certo ou errado é preciso ter escolhas próprias, saber andar com as próprias pernas.

O medo age como redutor do conhecer, o conhecer é prejudicial e pode fazer cair muitas estruturas que se ergueram e se erguem através de mentira. Na África morrem milhares todos os anos por medo de uma autoridade papal que luta contra o uso do preservativo. Várias pessoas morreram na vila por falta de medicamentos que só existia na cidade e por conta de um medo bobo pelo simples desejo de uma minoria detentora do poder. Muitos padeceram, pessoas que poderiam ter sido salvas se não fosse o medo e a crença em fantasias. Assim como os moradores da vila, nos não enxergamos o óbvio diante dos nossos olhos e padecemos e mesmo quando enxergamos o medo levanta do seu trono e faz com que você regrida, faz com que você não saiba distinguir realidade de ficção. É preciso analisar tudo em volta, a história ao pé da letra, saber guiar-se e não ser guiado por sugadores de verdades.

Por medo se escraviza até o presente momento, por medo o ser humano finge ser feliz, por consequência do medo é que muitas batalhas foram travadas até hoje e muito sangue foi derramado. O medo é triunfo dos poderosos, dos homens de terno e gravata, dos homens de batina. É o medo que garante uma sociedade obediente a um conjunto de moral decadente do que “deves” e do que não “deves” fazer. O filme termina e o segredo continua mesmo tendo sido infligido pela filha de um dos anciões que precisava ir a cidade buscar remédio para o seu amado, o filme não transmite isso, mas o pai só permite a ida da filha para cidade pelo fato de ser cega, mesmo tendo revelado todo o segredo a ela no meio da floresta aparece um dos moradores vestidos de monstros para assustá-la e ela consegue se safar vai até a cidade consegue os remédios, não revela nada sobre a vila e volta e o filme termina. Quando algo é firmado por tanto tempo de pai para filho, pois quem detém o poder de enganar sabe que a melhor maneira é sempre começar pelos os inocentes, eles são mais vulneráveis e no futuro eles passarão de geração a geração é sempre difícil de desacreditar, mesmo tendo total razão, às vezes a persistência e a vontade de continuar mergulhado na ficção soam tão forte que é impossível abandonar, é um vicio e com tudo isso a favor os mais fortes apoderam-se dos mais fracos. Sempre foi e sempre será assim.


P.S: Texto inspirado no filme A VILA um excelente documento que mostra claramente o poder do dogma em uma pequena vila, mas que se estende em toda nossa história e também na atualidade. O medo é um dos piores obstáculos por onde o ser humano tem dificuldade em passar. É um excelente filme para analise e compreensão das hipocrisias que rodeia-nos.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não se assustem é o carpinteiro nas palavras de Tomé

10. Disse Jesus: Eu lancei fogo sobre a terra – e eis que o vigio até que arda.

16. Talvez os homens pensem que eu vim para trazer paz à terra, e não sabem que eu vim para trazer discórdias à terra, fogo, espada e guerra. Haverá cinco numa casa, três contra dois, dois contra três; pai contra filho, e filho contra pai. E serão solitários.

13. Disse Jesus a seus discípulos: Comparai-me e dizei-me com quem me pareço eu.
Respondeu Simão Pedro: Tu és semelhante a um anjo justo.
Disse Mateus: Tu és semelhante a um homem sábio e compreensivo.
Respondeu Tomé: Mestre, minha boca é incapaz de dizer a quem tu és semelhante.
Replicou-lhe Jesus: Eu não sou teu Mestre, porque tu bebeste da Fonte borbulhante que te ofereci e nela te inebriaste. Então levou Jesus Tomé à parte e afastou-se com ele; e falou com ele três palavras. E, quando Tomé voltou a ter com seus companheiros, estes lhe perguntaram: Que foi que Jesus te disse? Tomé lhes respondeu: Se eu vos dissesse uma só das palavras que ele me disse, vós havíeis de apedrejar-me - e das pedras romperia fogo para vos incendiar.

16. Talvez os homens pensem que eu vim para trazer paz à terra, e não sabem que eu vim para trazer discórdias à terra, fogo, espada e guerra. Haverá cinco numa casa, três contra dois, dois contra três; pai contra filho, e filho contra pai. E serão solitários.

29. Jesus disse: Se a carne foi feita por causa do espírito, é isto maravilhoso. Mas, se o espírito foi feito por causa do corpo, é isto a maravilha das maravilhas. Eu, porém, estou maravilhado diante do seguinte: Como é que tamanha riqueza foi habitar em tanta pobreza?

30. Jesus disse: Onde há três deuses, eles são deuses. Onde há dois ou um, eu estou com ele.

41. Jesus disse: Aquele que tem algo na mão, esse receberá; e aquele que não tem, esse até perderá o pouco que tem.

44. Disse Jesus: Quem blasfemar contra o Pai receberá a graça; quem blasfemar contra o Filho receberá a graça; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo esse não receberá a graça, nem na terra nem no céu.

51. Seus discípulos perguntaram: Quando virá o repouso dos mortos e em que dia virá o mundo novo? Respondeu-lhes ele: Aquilo que vós aguardais já veio – mas vós não o conheceis.

55. Disse Jesus: Quem não odiar seu pai e sua mãe não pode ser meu discípulo. Quem não odiar seus irmãos e suas irmãs não é digno de mim.

61. Jesus disse: Haverá dois na mesma cama: um morrerá, o outro viverá.
Salomé disse: Quem és tu, ó homem? Como que saído de um só? Tu que usavas a minha cama e comias à minha mesa? Responde Jesus: Eu vim daquele que é todo um em si; isto me foi dado por meu Pai.
Disse Salomé: Eu sou discípula tua. Vem a propósito o dito: Quando o discípulo é vácuo, será repleto de luz; mas quando é dividido, ele será repleto de treva.

71. Disse Jesus: Destruirei esta casa, e ninguém a poderá reconstruir.

98. Disse Jesus: O Reino do Pai é semelhante a um homem que quis matar um poderoso. Em sua própria casa ele desembainhou a espada e enfiou-a na parede para saber se sua mão era forte o suficiente para realizar a tarefa. Depois foi matar o poderoso.

99. Seus discípulos lhe disseram: Teus irmãos e tua mãe estão aguardando lá fora.
Respondeu-lhes ele: Os que, nesses lugares, fazem a vontade de meu Pai são os meus irmãos e minha mãe, e são eles que entrarão no Reino de meu Pai.

100. Mostraram a Jesus uma moeda de ouro e disseram: Os agentes de César exigem de nós o pagamento do imposto. Respondeu ele: Dai a César o que é de César, e dai a Deus o que é de Deus - e dai a mim o que é meu.

113. Os discípulos perguntaram-lhe: Em que dia vem o Reino? Jesus respondeu: Não vem pelo fato de alguém esperar por ele; nem se pode dizer ei-lo aqui! Ei-lo acolá! O Reino está presente no mundo inteiro, mas os homens não o enxergam.

(Do evangelho de Tomé encontrado em dezembro 1945, nas margens do rio Nilo, no Alto Egito, não muito longe da moderna cidade de Nag Hammadi).

Eis as parábolas de Jesus escritas por Tomé. Os evangelhos de Tomé revelam um Jesus revolucionário. Ele foi o que Gandhi e Mandela foram para suas nações. A humanidade acabada nos braços da ilusão por um ser divinizado que em se tratando de pensar não foi maior que alguns grandes gênios que vieram depois.