quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A indelicadeza do simples

"Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado." (Albert Einstein)

Não é a forma como se entende melhor o simples, mas sim quem domina a engrenagem do fazer acreditar no simples é que é indelicado. Quem aceita o dito descomplicado sabe que não se chega muito longe sendo curta a extensão do dizer simples e a maioria das vezes não leva ninguém a lugar nenhum. A forma simplista serve apenas para o que é simples e o simples nos condiciona sempre para o leigo, pois ele atribui ao fantasioso o que não é do fantasioso, tornando ignorante quem o toma como verdade simples. Vejamos um exemplo: o leigo ou ignorante atribui e agradece sempre a São Pedro quando a chuva cai e a explicação imediata para o fato de a chuva cair é sempre São Pedro, pronto simples e direto São Pedro faz a chover nada mais e, no entanto não vejo complexibilidade nenhuma em dizer que uma frente fria se chocou com uma frente de ar quente vindo assim a formar uma nuvem carregada que fará a chuva cair.

O homem simples se deixa enganar facilmente ele aceita demasiado satisfeito o involuntário por que não tem fôlego o suficiente para revidar ou simplesmente acha o momento inoportuno. Esse achar inoportuno o momento em que se precisa estabelecer o que é de opinião própria é a base imediata para o cadafalso. Os pais explicam tudo de simples que aprenderam a seus filhos e essa é a causa primeira pela qual os filhos crescem desnutridos e dão continuidade a uma filosofia de vida totalmente decadente negando as proteínas e ingerindo o que só faz mal. A infância é refém da simplicidade ingênua das coisas, deve-se explicar simplesmente o que é realmente simples a uma criança, mas ao em vez disso explica-se o complexo de maneira inventada até que se toma como simples de forma contraria e pequena. Dessa forma não vejo desenvolvimento argumentativo em ser algum, vejo apenas seres guiados por pensamentos minúsculos pelo fato de ser simples seu entendimento. Vejo ai pura ignorância de seres que se sustentam e se contentam com o pouco e capto aqui de imediato o porquê de a humanidade ainda não saber sair do labirinto de enganação que só se alarga a cada década.

Não vejo se quer mínima poeira de inteligência na simplicidade de algumas coisas. Ao olhar para a extensão do universo e perceber de longe uma serie de planetas sustentado por uma gravidade girando em torno de um astro reluzente a ponto de nos esturricar a milhas de distância, além de outras diversidades de astros que rondam o universo ainda desconhecido em sua infinitude, com uma vasta quantidade de gases que são responsáveis pela existência humana. Ao pensar tudo isso e presenciar um bando de falastrão aderindo ao capitalismo e querendo se sobre sair pagando de santo ou de homem de fé com seu altruísmo repugnante de atribuir toda essa complexibilidade do universo a simplicidade divina chega a causar agitação nas ideias de tanta falta de indelicadeza moral. Para um ser ter criado o universo é obvio que ele precisaria ser bem mais complexo. Atribuir-lhe uma serie de cordas em que se controla tudo feito marionetes é bem mais simples que admitir sua falsa existência.

Na natureza nada é simples do menor ser existente ao maior ser possível corre entre suas extremidades mais curtas uma complexidade extrema. Sem contar com a complexibilidade que envolve o nascimento entre seres de mesmas espécies em que um gameta se sobre sai entre milhares se unido ao óvulo para formar um embrião que formará assim um novo ser dentro de outro. É simples isso tudo? Essa é a grande pergunta. É simples explicar a vida, o universo, a arquitetura corporal do ser humano, seu cérebro, toda sua genealogia? É simples isso tudo? Estamos envolto do complexo e só o complexo pode explicar a maioria das coisas que precisamos saber. Podemos tornar o simples complexo mais jamais tornaremos o complexo simples.

Complexidade é agitada e, por isso, barulhenta. O Simples é tranqüilo e silencioso. Deus está na tranqüilidade da alma e no silêncio. O estado tranqüilo e silencioso é a Simplicidade Essencial, a condição máxima da Beleza do espírito.

Trecho extraído do texto O DIZER SIMPLES do blog DO NADA À EXISTÊNCIA de Rômulo César Souza

Ai Rômulo, Rômulo desconfie do que é tranqüilo a sempre uma surpresa por trás da tranquilidade que pode ser assustadora. Tudo o que é nítido se faz por agitação deixando bem claro o que se pretende, essa inocência do Rômulo em achar que a sombra é sempre cômoda é a infeliz vontade de querer ir além sem revidar o que é totalmente inútil. Não se deve nunca sentar-se a sombra e acomodar-se por que alguma coisa causa medo, por que alguma coisa é complexa, barulhenta de mais para seus ouvidos assim a fraqueza do ser se mostra abertamente e então comprova a pequenez de espírito. O Rômulo acaba de negar a verdade, pois toda verdade tem sua complexidade estabelecida dentro de um barulho assustador, a verdade é barulhenta. Aceitar o simples por que o simples é tranqüilo é covardia, é não querer aceitar o que é certo, é não querer admitir o errado, é querer descaradamente deitar e dormir estando tudo por arrumar, estando tudo mergulhado no caos. Rômulo o barulhento tem aquela ponta de justiça que a maioria das vezes derruba as inconstâncias.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O problema por trás do problema


O conhecer do problema são tantos os problemas que se torna fácil apontar vários em uma sociedade abaixo do caos. Sim realmente é fácil apontar um problema, mas o que não se sabe é o que se encontra por traz do problema poucos conseguem ter a visão trabalhada para as mensagens claras do problema. Todo mundo sabe do grande caos que existe no Rio de Janeiro por conta do trafico de drogas que se alarga dia pós dia. O que nos transmitem são apenas pedaços de informações bem retalhadas o possível para não comprometer os homens de frente do sistema. Poucos sabem que por traz das mais de 650 favelas do Rio de Janeiro concentra-se uma grande logística de movimentação de drogas e armas que envolvem não só traficantes, como também uma grande casta influente que tem ações dentro da indústria de drogas e armas nos morros do Rio, nas ruas o consumo desse produto indesejado ataca os seres frágeis despidos de política publica. Esse o grande problema por traz do problema. A mesma situação ocorre quando falamos em saúde falamos em falência indecorosa de um direito do cidadão, o ser humano encontra-se suprimido dentro de uma política de ratos. Muitos se perguntam: porque é tão difícil de se ter uma saúde publica descente? Por que tudo dirigido ao populacho não vale a pena é assim que pensam os nossos representantes, é assim que funciona a política de “pão e circo” dos homens de terno e gravata. A grande vergonha dessa nação com relação à saúde vem da blasfêmia dos investimentos feitos e que são afanados pelos os responsáveis nas modificações. São os grandes problemas por traz do problema que levam a decadência da sociedade.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Filosofia do homem sem escrúpulos


Ele sabe que está sendo vigiado por que o outro desconfia dele, no entanto ele age mesmo assim por cima das normas e princípios. “A amizade garantirá meu sucesso”, pensa ele esquecendo que para o outro existe princípios e que esses princípios estão acima de qualquer coisa. Ele cai na armadilha pregada pelo outro que almeja ver seu ambiente livre da ambição e da falta de conduta ética de alguns infelizes. E também garantir para que sua consciência não se deixe levar por sentimentos alheios, sendo incapaz de infligir regras morais, como arruinar os outros por benefícios próprios.


O reles inflige uma regra moral imposta pelo homem que é violar a lei, ele violou uma lei que toda sociedade rejeita, ele agora tem outra imagem diante da sociedade, talvez ele caia no arrependimento e fique constrangido, talvez ele sinta vergonha do que fez, ou não visto que ele é um homem sem escrúpulos e homens sem escrúpulos não desenvolve sentimentos que os levam para baixo, mesmo já estando no mais fundo dos poços. Ele sabe que o sentimento de arrependimento não cabe em seu espírito, com isso ele tem autonomia para infligir uma lei moral ainda mais perigosa, ele corre bastante perigo por que essa lei para consciência é autoritária, perversa e nela permeia a escuridão, essa lei é exigente e dela prescinde muitos pontos universais.

O homem sabe quando passa dos limites e passar dos limites é pensar que está acima de qualquer coisa, portanto não teme nada. Este acima de qualquer coisa cega o ser humano de uma maneira inacreditável, ele vai até o último degrau do perigo, ele quer está sempre acima por isso infligir é seu verbo favorito. O homem sem escrúpulos vai além de seus limites e faz o que seu semelhante repudia, ele diz: “que se dane a natureza moral dos homens e suas consequências, quem vive de moral morre de fome” enganado ele padece, pois o espírito da consciência é bem alimentado por princípios descontaminados. A moral fajuta sim, pode ir as favas por que dela nasce a mentira e levanta urubus em toda carnificina de conduta da humanidade, mas a moral saudável e limpa, a que vem das montanhas dos pensamentos incorruptíveis, a que jamais nascerá do rebanho, a que não tem uma só gota de fé. Essa sim derruba o homem sem escrúpulos.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

O crucificado


“O crucificado” é o caminho dos fracos

E oprimidos, que sem espírito

Levantam as mãos para o céu e mesmo

Estando num mar de lama sentem-se satisfeitos.

As macaquices do nosso país

O Brasil é inacreditável. Enquanto um bando de desordeiros do trafico de drogas põe medo no Rio de Janeiro e em todo país, enquanto moradores de rua inofensivos são extintos em Alagoas sem defesa. Enquanto o Amazonas afunda em malária, enquanto a dengue domina todo o território nacional e a saúde publica vai abaixo. Criam-se polêmicas infundadas em cima da literatura de Lobato ou de urubus como arte, na 29ª bienal de São Paulo. “Que país é esse”?

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Higiene espiritual

Joguei fora meus CDs cheios de misérias sonoras.
Não ouço mais os zumbidos esquecidos
sem significado musical. Ouço os grilos cantarem
em madrugadas sorrateiras e me dou por satisfeito.

Tudo que é pobre e sem o mínimo de verossimilhança
Tudo que não traz benefício espiritual na unicidade
De cada ser que procura sabedoria em virtude.
tudo que não acrescenta regride e agride desejos.

Joguei fora todos os sentimentos mesquinhos
de aceitação as coisas como elas são. Os homens
acham que pode tudo e se esquecem que não são maiores
que a natureza. Em cada ato suas vidas padecem.

Aprender a descartar o que anula um fator preponderante
É sabedoria de poucos. Buscar não no simples, o simples
Torna pequeno quem o busca. O complexo tem armadura
Contra o que é baixo, contra o que é sem formalidade.

Vim de baixo e permaneço ainda em baixo. Isso sei.
Sou da tribo do meu pai descendente dos meus avôs,
Sou filho de minha mãe que dotada de princípio gerou
A mim e meus irmãos, sou da tribo que honra os princípios.

Sem negar a liberdade de contestá-los pela razão da lógica
E pela prova incontestável. Livro-me do que não me faz bem
Mas preciso odiar o que é péssimo para enobrecer o espírito.
Acabei de jogar fora o livro que fala do carpinteiro.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

O medo como redutor

Durante muito tempo um grupo de anciões de uma vila na Pensilvânia que se mantinha afastada em um completo isolamento por temer a violência das cidades vizinhas. Tinha a floresta como separação da cidade aproveitando-se desse fator os anciões com o intuito de fazer com que os moradores não fossem até as cidades de maneira alguma e baseados em um conto de fadas local os monstros da floresta contada pelo professor que também fazia parte dos anciões.


A história dos monstros dizia o seguinte: Havia na floresta criaturas medonhas que eles a denominavam de “aqueles-de-quem-não-falamos” os anciões contaram para os moradores que existia um pacto entre eles e os monstros que se nenhum dos moradores entrasse na floresta os monstros também não invadiriam a vila, no entanto se o pacto fosse quebrado pelos moradores os monstros entrariam e expulsariam todos da vila. Demarcações foram feitas entre a vila e a floresta, postos de vigilância foram erguidos vários para monitorar os supostos monstros e para que ninguém ultrapasse. Quando um morador contesta a ordem dos anciões e passa a infligir à regra, eles confeccionam uma roupa de monstro e passa assustar os moradores matando os animais da vila e deixando avisos, firmando ainda mais o medo nos moradores.

A vila é um filme que conta uma história do final do século XIX lançado em 2004, é um importante documento que põe em pauta o principal redutor, ou melhor, o principal muro de separação entre o ser humano e a verdadeira realidade renegada pela simples vontade de alimentar desejos. O medo. O ser humano não consegue de forma alguma perceber os distúrbios de um sistema que oprime por satisfação e poder. É preciso acreditar em si próprio, pois ninguém é dono da verdade absoluta, tendo em vista a vulnerabilidade das verdades tidas como absolutas. Enquanto houver duvida a ponte do conhecimento espontânea não será ultrapassada, é preciso haver liberdade espiritual, as pessoas carregam um grampo na cabeça que questiona o que é certo ou errado é preciso ter escolhas próprias, saber andar com as próprias pernas.

O medo age como redutor do conhecer, o conhecer é prejudicial e pode fazer cair muitas estruturas que se ergueram e se erguem através de mentira. Na África morrem milhares todos os anos por medo de uma autoridade papal que luta contra o uso do preservativo. Várias pessoas morreram na vila por falta de medicamentos que só existia na cidade e por conta de um medo bobo pelo simples desejo de uma minoria detentora do poder. Muitos padeceram, pessoas que poderiam ter sido salvas se não fosse o medo e a crença em fantasias. Assim como os moradores da vila, nos não enxergamos o óbvio diante dos nossos olhos e padecemos e mesmo quando enxergamos o medo levanta do seu trono e faz com que você regrida, faz com que você não saiba distinguir realidade de ficção. É preciso analisar tudo em volta, a história ao pé da letra, saber guiar-se e não ser guiado por sugadores de verdades.

Por medo se escraviza até o presente momento, por medo o ser humano finge ser feliz, por consequência do medo é que muitas batalhas foram travadas até hoje e muito sangue foi derramado. O medo é triunfo dos poderosos, dos homens de terno e gravata, dos homens de batina. É o medo que garante uma sociedade obediente a um conjunto de moral decadente do que “deves” e do que não “deves” fazer. O filme termina e o segredo continua mesmo tendo sido infligido pela filha de um dos anciões que precisava ir a cidade buscar remédio para o seu amado, o filme não transmite isso, mas o pai só permite a ida da filha para cidade pelo fato de ser cega, mesmo tendo revelado todo o segredo a ela no meio da floresta aparece um dos moradores vestidos de monstros para assustá-la e ela consegue se safar vai até a cidade consegue os remédios, não revela nada sobre a vila e volta e o filme termina. Quando algo é firmado por tanto tempo de pai para filho, pois quem detém o poder de enganar sabe que a melhor maneira é sempre começar pelos os inocentes, eles são mais vulneráveis e no futuro eles passarão de geração a geração é sempre difícil de desacreditar, mesmo tendo total razão, às vezes a persistência e a vontade de continuar mergulhado na ficção soam tão forte que é impossível abandonar, é um vicio e com tudo isso a favor os mais fortes apoderam-se dos mais fracos. Sempre foi e sempre será assim.


P.S: Texto inspirado no filme A VILA um excelente documento que mostra claramente o poder do dogma em uma pequena vila, mas que se estende em toda nossa história e também na atualidade. O medo é um dos piores obstáculos por onde o ser humano tem dificuldade em passar. É um excelente filme para analise e compreensão das hipocrisias que rodeia-nos.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Não se assustem é o carpinteiro nas palavras de Tomé

10. Disse Jesus: Eu lancei fogo sobre a terra – e eis que o vigio até que arda.

16. Talvez os homens pensem que eu vim para trazer paz à terra, e não sabem que eu vim para trazer discórdias à terra, fogo, espada e guerra. Haverá cinco numa casa, três contra dois, dois contra três; pai contra filho, e filho contra pai. E serão solitários.

13. Disse Jesus a seus discípulos: Comparai-me e dizei-me com quem me pareço eu.
Respondeu Simão Pedro: Tu és semelhante a um anjo justo.
Disse Mateus: Tu és semelhante a um homem sábio e compreensivo.
Respondeu Tomé: Mestre, minha boca é incapaz de dizer a quem tu és semelhante.
Replicou-lhe Jesus: Eu não sou teu Mestre, porque tu bebeste da Fonte borbulhante que te ofereci e nela te inebriaste. Então levou Jesus Tomé à parte e afastou-se com ele; e falou com ele três palavras. E, quando Tomé voltou a ter com seus companheiros, estes lhe perguntaram: Que foi que Jesus te disse? Tomé lhes respondeu: Se eu vos dissesse uma só das palavras que ele me disse, vós havíeis de apedrejar-me - e das pedras romperia fogo para vos incendiar.

16. Talvez os homens pensem que eu vim para trazer paz à terra, e não sabem que eu vim para trazer discórdias à terra, fogo, espada e guerra. Haverá cinco numa casa, três contra dois, dois contra três; pai contra filho, e filho contra pai. E serão solitários.

29. Jesus disse: Se a carne foi feita por causa do espírito, é isto maravilhoso. Mas, se o espírito foi feito por causa do corpo, é isto a maravilha das maravilhas. Eu, porém, estou maravilhado diante do seguinte: Como é que tamanha riqueza foi habitar em tanta pobreza?

30. Jesus disse: Onde há três deuses, eles são deuses. Onde há dois ou um, eu estou com ele.

41. Jesus disse: Aquele que tem algo na mão, esse receberá; e aquele que não tem, esse até perderá o pouco que tem.

44. Disse Jesus: Quem blasfemar contra o Pai receberá a graça; quem blasfemar contra o Filho receberá a graça; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo esse não receberá a graça, nem na terra nem no céu.

51. Seus discípulos perguntaram: Quando virá o repouso dos mortos e em que dia virá o mundo novo? Respondeu-lhes ele: Aquilo que vós aguardais já veio – mas vós não o conheceis.

55. Disse Jesus: Quem não odiar seu pai e sua mãe não pode ser meu discípulo. Quem não odiar seus irmãos e suas irmãs não é digno de mim.

61. Jesus disse: Haverá dois na mesma cama: um morrerá, o outro viverá.
Salomé disse: Quem és tu, ó homem? Como que saído de um só? Tu que usavas a minha cama e comias à minha mesa? Responde Jesus: Eu vim daquele que é todo um em si; isto me foi dado por meu Pai.
Disse Salomé: Eu sou discípula tua. Vem a propósito o dito: Quando o discípulo é vácuo, será repleto de luz; mas quando é dividido, ele será repleto de treva.

71. Disse Jesus: Destruirei esta casa, e ninguém a poderá reconstruir.

98. Disse Jesus: O Reino do Pai é semelhante a um homem que quis matar um poderoso. Em sua própria casa ele desembainhou a espada e enfiou-a na parede para saber se sua mão era forte o suficiente para realizar a tarefa. Depois foi matar o poderoso.

99. Seus discípulos lhe disseram: Teus irmãos e tua mãe estão aguardando lá fora.
Respondeu-lhes ele: Os que, nesses lugares, fazem a vontade de meu Pai são os meus irmãos e minha mãe, e são eles que entrarão no Reino de meu Pai.

100. Mostraram a Jesus uma moeda de ouro e disseram: Os agentes de César exigem de nós o pagamento do imposto. Respondeu ele: Dai a César o que é de César, e dai a Deus o que é de Deus - e dai a mim o que é meu.

113. Os discípulos perguntaram-lhe: Em que dia vem o Reino? Jesus respondeu: Não vem pelo fato de alguém esperar por ele; nem se pode dizer ei-lo aqui! Ei-lo acolá! O Reino está presente no mundo inteiro, mas os homens não o enxergam.

(Do evangelho de Tomé encontrado em dezembro 1945, nas margens do rio Nilo, no Alto Egito, não muito longe da moderna cidade de Nag Hammadi).

Eis as parábolas de Jesus escritas por Tomé. Os evangelhos de Tomé revelam um Jesus revolucionário. Ele foi o que Gandhi e Mandela foram para suas nações. A humanidade acabada nos braços da ilusão por um ser divinizado que em se tratando de pensar não foi maior que alguns grandes gênios que vieram depois.

sábado, 30 de outubro de 2010

A Verdade Está à Frente do Nosso Nariz

Nós já esquecemos completamente o axioma de que que a verdade é a coisa mais poética no mundo, especialmente no seu estado puro. Mais do que isso: é ainda mais fantástica que aquilo que a mente humana é capaz de fabricar ou conceber... de facto, os homens conseguiram finalmente ser bem sucedidos em converter tudo o que a mente humana é capaz de mentir e acreditar em algo mais compreensível que a verdade, e é isso que prevalece por todo o mundo. Durante séculos a verdade irá continuar à frente do nariz das pessoas mas estas não a tomarão: irão persegui-la através da fabricação, precisamente porque procuram algo fantástico e utópico.




Fiodor Dostoievski, in 'Diário de um Escitor'

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

A Memória é o Maior Tormento do Homem


Considera o rebanho que passa ao teu lado pastando: ele não sabe o que é ontem e o que é hoje; ele saltita de lá para cá, come, descansa, digere, saltita de novo; e assim de manhã até a noite, dia após dia; ligado de maneira fugaz por isto, nem melancólico nem enfadado. Ver isto desgosta duramente o homem porque ele vangloria-se da sua humanidade frente ao animal, embora olhe invejoso para a sua felicidade - pois o homem quer apenas isso, viver como animal, sem melancolia, sem dor; e o que quer entretanto em vão, porque não quer como o animal. O homem pergunta mesmo um dia ao animal: por que não falas sobre a tua felicidade e apenas me observas?

O animal quer também responder e falar, isso deve-se ao facto de que sempre se esquece do que queria dizer, mas também já esqueceu esta resposta e silencia: de tal modo que o homem se admira disso. Todavia, o homem também se admira de si mesmo por não poder aprender a esquecer e por sempre se ver novamente preso ao que passou: por mais longe e rápido que ele corra, a corrente corre junto. É um milagre: o instante em um átimo está aí, em um átimo já passou, antes um nada, depois um nada, retorna entretanto ainda como um fantasma e perturba a tranquilidade de um instante posterior. Incessantemente uma folha se destaca da roldana do tempo, cai e é carregada pelo vento - e, de repente, é trazida de volta ao colo do homem. Então, o homem diz:«eu lembro-me», e inveja o animal que imediatamente esquece e vê todo o instante realmente morrer imerso em névoa e noite e extinguir-se para sempre. Assim, o animal vive a-historicamente: ele passa pelo presente como um número, sem que reste uma estranha quebra.

Friedrich Nietzsche, in 'Segunda Consideração Intempestiva'

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A moral política do século XXI


Política e moral dois conceitos infiéis as formas fajutas de princípios do ser humano que de forma alguma consegue entender a velha política de “pão e circo” que não fica velha nunca, apenas se transforma, se modifica e se encaixa aos padrões de vulgaridade dos donos do voto. A, mas nós temos a democracia e ela é poderosa – poderosa coisa nenhuma é utopia de vermes que pensam estarem exercendo seu direito e não vê o contraste entre a política que se defasa a cada avançar de século e o cidadão em constante adaptação a própria política imoral, ao próprio meio contaminado por sanguessugas do poder. O discurso perfeito, as promessas que nunca acabam e uma afanação que é de mais frustrante no meio político. Tenho pra mim que política é uma doença, doença que degenera a moral, que mata a moral e a ética sendo vedado o direito a evolução. Os homens dizem ter ética, moral e razão – razão pode sim ter, a razão clandestina e razão do existir, razão patriótica patética, o homem que despeja seu voto insano em qualquer espécie de políticos ele o é igual, ou seja, é porco e mesquinho. No meio político não existe moral nem ética e se existe moral e ética é a moral e ética deprimente de cada século que aflora em uma nova aurora. Se realmente existe uma política descente essa política ainda esta por vi e não virá com o mesmo nome de bando de aves de rapina vira com os conceitos morais jamais conhecido pelo homem, virá separada total e completamente da igreja. O que posso afirmar é que a única democracia que se pode levantar o chapéu é a democracia Européia lá as pessoas lutam por seus direitos a pau e pedra a soco e ponta pé, lá as pessoas distinguem bem política de moral e lavam bem a ética moral sob gritos de protestos, aqui o carnaval é o único protesto de uma liberdade suprema em que todos gritam: “Urino onde quero, faço sexo sem camisinha onde quero, uso as drogas que quero e vejo o bloco passar” o Brasileiro e sua conformidade ainda carregam o lema de “Sou brasileiro e não desisto nunca” sendo que o desistir ocorre quando abriga a moral profana que carregam nas costas largas de animais que suportam a carga conformadamente e o que se vê no alto? Homens do trono comendo da ignorância e conformação dos animais de costas larga.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O sem Deus (Parte III)

Aos homens de moral, a pouca moral lógica que poucos conseguem domar e filtrar em uma espiritualidade completa de reação contra o improvável reinante. Aos domadores da moral lógica, da moral que derruba toda forma de teocracia, derruba a imoral e a ética corrompida, pois digo a vós que são entendedores da moral essencial ao conhecimento da verdade camuflada digo-lhes que ao sair de casa trajam-se com as armaduras da substancialidade capaz de derrubar cada deturpador de certezas, esses que comem todo dia no mesmo prato sujo da inverdade e fantasia. Maldito o homem que tropeça em sua própria visão, afoga-se em suas próprias lagrimas de desesperos e vivem de sua ébria falação em conceitos antigos, os conceitos ultrapassados de “deus”. Reforço a vós que és tegumentado com a pureza de cada informação filtrada ao andarem por entre os mórbidos se utilizem do urticante para qualquer forma de reação em forma de imbecilidade. Já a vós que pensam serem os entendedores das verdades absolutas digo-lhes que o conceito de verdade não cabe a morbidez pensante da existência humana. A verdade é alcançável apenas aqueles que se fazem completo pela virtude, pela essência e a vontade de aniquilar imagens divinizadas todo e quaisquer tipo de imagens abastada.


A filosofia panteísta é um dos retardamentos e regressão da humanidade, filosofia sofista essa filosofia, cujo conceito é de que deus é tudo aquilo que existe. Me faz ir bem além desse conceito e parto para o ataque com o seguinte conceito tomando em si o silogismo em que a premissa maior diz: Tudo aquilo que existe é Deus, o homem existe premissa menor, logo, o homem é Deus conclusão. Tendo em vista o caráter moral do homem em seu ser existencial o deus morre a cada ato brutal adotado pelo homem. Levando a premissa para contrapor com a criação dentro da Genesis que tem em uma de suas passagens a seguinte afirmação: “O homem é a imagem e semelhança de Deus” logo deus esta dentro do brutalismo do homem e vice versa percebemos assim uma lógica inexistente a criação de um ser superior, tentativa falha. Um ser superior espelhado no homem que é ébrio por total, que é danoso ao seu semelhante e a natureza, ele é antinatural por completo, ele é duvidoso e demasiado emético.


Quando saímos do plano imaginário e partimos para o plano real ninguém te ver, ninguém te ouve, ninguém te olha. Os joelhos estão firme em um altar levantado em cima de onomatopéias irritantes, as mãos se voltam para cima olho para cima o que vejo é a combinação de gases atmosféricos, além deles apenas o universo estrelado. Daí entra a educação fundamentada no básico desde o inicio, o corrompimento de pensamentos começa cedo o ensino mescla o fundamental e ensina o prejudicial. A sociedade sabe que uma mente dominada com certeza é uma mente simples e fraca não causará danos à estrutura levantada no processo de enganar. Toda classe sacerdotal que ditam regras em cima do altar sabem como fechar bem os olhos de seus fieis imbecis, torná-los mudos para qualquer revidação que possa comprometer toda a estrutura do templo, viver em conceitos antigos de “deus”, “Salvação”, “céu”, “inferno” principais armas de enganações dentro dos currais enlamaçados. Não posso aceitar um deus que está na boca de toda essa nação ingênua e néscia que em pleno século XXI ainda acreditam em paraíso acima de nossas cabeças e inferno abaixo dos nossos pés.

A moral dos homens reservados esses homens que se escondem do mundo por que sabem da doença nele existente e que essa doença vem do vírus que destrói todo tipo de virtude, todo tipo de reação contra as religiões que andam pondo abaixo a estrutura do planeta. Esses homens que existiram e existem e mais uma meia dúzia de seres inteligentes derrubarão sem piedade toda e qualquer forma de refutação.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um momento de depressão


Uma semana e já não escrevo mais nada, fugiu-me os sentidos num momento em que a depressão conquistou um largo espaço do meu corpo, a vontade de permanecer estático na cama por um mês vaga em meus pensamentos. Por uma semana meu mundo despencou completamente, talvez pelo fato de parar um pouco e refletir tudo que me ocorreu durante meus vinte e três anos de vida e mais ainda por que dentro desses dois anos que me propus a pesquisar tudo sobre o processo de conhecimento dos mistérios que envolvem nossa vida. O fato concreto da minha depressão foi quando parei e pensei o quão é impressionante a vida em sua extensão de nada. Nascer e crescer dentro de uma sociedade que te engana, que te educa dentro de conceitos mentirosos e ilusórios, essa sociedade que te faz pensar que existe um outro mundo bem melhor depois desse e você acaba descobrindo que tudo não passa de grande falácia, que te enganaram durante anos e muitos ainda insistem nessa loucura, insistem em querer te enganar.


Agora consigo de uma forma inteligente repensar o arcadismo de conceito pregado de viver e fazer hoje, viver o presente, deixar que as coisas aconteçam sem a mínima repudia. O amanhã é indecifrável, a vida pode não mais existir amanhã, minha vida pode não mais está sob a luz do sol na manhã seguinte. É preciso deixar o futuro de lado às coisas só acontecem no presente, aproveitar cada minuto é importante, pois o tempo não para e sua velocidade comanda a extensão das vidas.

O suicídio já foi o refugio dos desiludidos da vida, hoje o ser humano ao passo que cresce intelectualmente percebe-se que o suicídio é tolice visto que a minha razão me diz que vou morrer, que não vou viver para sempre, que não serei eterno, então por que não permanecer em meu estado e acompanhar o processo de evolução, assistir cada descoberta fantástica, cada passar de ano vendo a transformação dos seres, do mundo e do universo. Quando penso em tudo isso imagino logo uma planta ela nasce por que o solo é propicio a seu desenvolvimento e seu objetivo é simplesmente crescer, dar frutos, envelhecer e morrer. Nascemos por que a terra é propicia ao nosso desenvolvimento, nosso objetivo é reproduzir, formar uma família para dar continuidade à espécie, envelhecer e morrer nenhum ser vivo foge dessa linha de pensamento. E não a nada de divindade ou fantasias em volta da beleza evolutiva.



sábado, 4 de setembro de 2010

Convite inapropriado

Minha vizinha me convidou para ir à igreja dela, igreja católica. “Quando você vai visitar minha igreja? É um ambiente legal, apareça lá para conhecer os jovens tem culto todas quartas e sábados”. Esse foi seu convite não sei se posso chamar isso de convite ou se soa melhor como desrespeito. Por ela ser demasiado devota e pela simples razão de não está com a mínima vontade de discussão na hora, com muito esforço conseguir me privar de mostrar para ela qual o caminho realmente me faz bem, qual direção não me rouba a razão, quais os pensamentos fornecem-me conclusões exatas da discórdia com as doutrinas das igrejas. Balancei a cabeça sem graça e virei às costas sem mais falar sobre o assunto, talvez ela tenha se tocado que o meu interesse por religião é nenhum.



Para evitar uma discussão e não criar um ambiente difícil de convivência, visto que uma porta é colada na outra e estamos a nos bater toda hora. É bem melhor às vezes falar com gestos do que com palavras e deixar que o tempo condicione a um momento melhor para bater um papo tranquilo onde eu possa expor minhas ideias assim como ela também se é que ela tem alguma idéia formada. Criou-se em mim um instinto de liberdade, estou tão leve quase voando, tornei-me contestador de ideias mortas, não consigo guardar em mim qualquer tipo de mentira. Hoje minha vizinha ouviu apenas o silêncio em gesto na próxima ela saberá para qual lado pende meus pensamentos.

domingo, 22 de agosto de 2010

Bíblia




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sábado, 21 de agosto de 2010

Brasil: o país que uma piada



A política nunca foi um caminho para deposito de exemplo moral a cada século que nasce e se transforma a política transforma-se junto e para pior. Infelizmente política e religião regem qualquer sociedade e os dois caminhos levam abaixo a estrutura ética da humanidade. Onde quero chegar com isso? As propagandas eleitorais para outubro deram mais um golpe de ignorância cômica provando o que já era bem claro: A política realmente nós faz rir, sem sombra de dúvida que é uma comédia. O fato marcante dessa nova política engendrada na tecnologia da informação, o verdadeiro tapa na cara do cidadão brasileiro que quer apenas ver seus direitos em ação (o que já não é mais possível desde muito tempo), mas a ilusão insistente permanece sob forma de voto. Bom, o fato que põe a política brasileira definitivamente como palhaçada é o TIRIRICA o comediante mais palhaço da televisão brasileira, que não sabe nem o que é política e mesmo assim se candidatou para deputado federal. Pelo menos não teremos só roubo, teremos roubo e uma dose a mais de humor se o Tiririca ganhar é claro.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O crucificado e suas cômicas aventuras


Tendo ele chegado ao outro lado, à terra dos Gadarenos, saíram-lhe ao encontro dois endemoninhados, vindos dos sepulcros; tão ferozes eram que ninguém podia passar por aquele caminho.
E eis que gritaram, dizendo: Que temos nós contigo, Filho de Deus? Vieste aqui atormentar-nos antes do tempo?
Ora, a alguma distância deles, andava pastando uma grande manada de porcos.
E os demônios rogavam-lhe, dizendo: Se nos expulsas, manda-nos entrar naquela manada de porcos.
Disse-lhes Jesus: Ide. Então saíram, e entraram nos porcos; e eis que toda a manada se precipitou pelo despenhadeiro no mar, perecendo nas águas.
Os pastores fugiram e, chegando à cidade, divulgaram todas estas coisas, e o que acontecera aos endemoninhados.
E eis que toda a cidade saiu ao encontro de Jesus; e vendo-o, rogaram-lhe que se retirasse dos seus termos.

                                                                   Do livro de Mateus c.8, v. 28-34

Eis o homem mais falado das escrituras, mais aclamado e louvado de todos os tempos. Eis o homem que arrasta multidões a templos de adorações, eis o homem pregado dentro de um livro dito sagrado por conter palavras dele. Um homem que abominava carne de porco e, no entanto seu pai talvez tenha criado para quando seu filho fosse expulsar endemoninhados fazer o que fez com os dois descritos a cima e que ao em vez de expulsar os demônios do corpo dos dois infelizes e livrarem-nos do mal os jogou penhasco abaixo junto aos porcos , deixando os pastores sem sua fonte de alimentação além de aterrorizar-los. Não é de se estranhar que toda a cidade tenha rogado para que esse louco se retirasse.





domingo, 15 de agosto de 2010

Vida (prêmio para o mais forte)

dos

A velocidade de um guepardo em busca de sua presa chega próximos dos 115 km, ou seja, é bem provável que a presa vai virar petisco. Os movimentos certeiros e preciso na hora do bote final, todos os sentidos voltados para o objetivo que é alcançar à presa para matar sua fome e garantir mais um dia respirando dentro de uma cadeia complexa e cheias de armadilhas. Isso tudo que acabei de escrever denomina-se sobrevivência aquele que possui o gene mais forte, que saiba defender e atacar, que é mais preponderante e que conhece a natureza com certeza sobrevivera. A vida é uma luta constante pela sobrevivência e quem não luta serve de comida ou de esterco para novas espécies.

domingo, 8 de agosto de 2010

Abuso infantil



“Agradeço aos meus pais por adotar a opinião de que o mais importante não é ensinar o que pensar, mas como pensar.”


                                                                                             Richard Dawinks

Um fato hoje bastante instigante me fez considerar ainda mais o pensamento de Richard Dawinks a respeito das crianças e seus educadores de berço em relação ao fato de uma criança ser educada sobre religião sem saber do que se trata. Duas testemunhas de Jeová com duas crianças ao lado bateram na porta de uma pessoa para fazer o que eles mais sabem encher a cabeça dos outros de imbecilidades a respeito do Deus Jeová. Bom retomando, a pessoa de onde elas bateram nem abriu a porta e de dentro de casa perguntou o que elas queriam e elas disseram que tinha uma mensagem de deus para passar, a pessoa dispensou-as com um estou ocupado e pronto. Então as seguidoras de Jeová partiram para outra porta, mas o filho de uma das testemunhas desvencilhou-se com um ato de rebeldia e foi parar na porta anterior e ficou a bater chegando à mãe próxima da criança deu-lhe um panfleto, esses panfletos cheios de fantasias religiosas e explicou para o garotinho de três a quatro anos de idade como que deveria entregar e dizer para mesma pessoa que havia dispensado-a.


Vejam a obsessão de tais religiosos que querem a qualquer custo pregar um conceito que eles tomam pra si, querem de todo jeito fazer com que os outros acreditem nas mesmas fantasias que eles, induzindo até uma criança que não tem ainda idéia formada sobre o que seja religião a fazer algo por eles. Quando ela entrega o panfleto na mão da criança é por que sabe que ninguém irá rejeitar a oferta de um ser sem maldade alguma e que jamais irá revidar com o que pensa, pois é uma criança. O abuso captado pelas minhas retinhas é vergonhoso, as crianças deveriam ser ensinadas de forma a escolher seu próprio caminho quando for alcançado o grau maior de racionalidade humana, pois elas irão crescer e ter filhos onde passarão para seus filhos o que aprendeu para que o mesmo possa dá seqüência à forma de pensamento adquirida. Mas Richard Dawinks vai mais além:


Se depois de ter sido exposta de forma justa e adequada a todas as evidencias cientificas elas crescerem e decidirem que a bíblia diz a verdade literal ou que o movimento dos planetas governa suas vidas, é direito delas. O essencial é que é direito delas decidir o que pensarão, e não dos pais de impô-lo por force majeure.


Usar uma criança para tentar fazer os outros acreditarem em algo supérfluo é crime contra a razão da criança e golpe baixo nas pessoas submetidas às elas. Fazer lavagem cerebral em criança que não sabe distinguir ideias, não sabe o que é ou não é prejudicial à vida, iludir seres inocentes deveria ser crime, crime de violação de direito. Imaginem essa criança quando crescer enxergando apenas um caminho e por sinal tortuoso ao ponto de inclinar-lhes de uma forma a não permitir olhar para trás ou para os lados é algo para se preocupar, pois estamos lidando com o futuro da humanidade e não se pode mais permitir que se cometa esse ato presunçoso de ensinar a criança apenas uma vertente.


Vi aquela imagem do menininho tão inocente sendo ponte para algo ilógico, doente, vicioso, decadente. Meu pensamento gritou alto e sentiu vontade de intervir, mas logo respirei fundo e sair sem mais olhar a imagem que deu um nojo profundo capaz de satisfazer a vontade de revidar. É preciso criar os filhos para saberem o que é danoso, e não injetar um tipo de pensamento educacional poluído baseado em crenças religiosas indevidas. É preciso novas pontes para poder direcionar a humanidade que cai em pontes velhas, inseguras e cheias de buracos, pois o futuro é revelador.

É tudo asneiras


Deus disse: “Não roubarás”
e os seus devotos fazem isso com tanta naturalidade
que chegam a honrar com braço e palavras de ferro
O altar que sobem aos dias de culto e oração.
Os seus malfeitores burlam vinte e quatro horas por dia
essa ordem suprema de não cometer o ato dito pecado.


Deus disse: “Não matarás”
e, no entanto a regra da sobrevivência e do equilíbrio
do planeta diz o contrario “Mate se quiser viver”
e os matadores de plantão matam
por nada, matam em nome do próprio Deus, matam vestidos
com a túnica dita sagrada, matam da forma mais brutal
                                                                    [existente.
Os homens em nome de Deus deixam nas
encruzilhadas, na urbanização, nas águas fétidas do rio,
dos bares, nas ruas, nas próprias casas, nos morros
em qualquer lugar um cadáver sem preocupação por
está cometendo um pecado dito brutal.

Deus disse: “Não falaras mal de ninguém”
aquele que nunca falou mal de alguém pelas costas que atire
a primeira pedra. Não a um ser na face da terra que seja totalmente
justo, se houver que se manifeste com a habilidade teatral de encenar.
Aquele do ambiente de trabalho, ambiente diário exaustivo
aquele do vizinho ao lado que é sempre chato, aquele do amigo
que o trocou por outro sem mais nem menos, aquele que foi traído
e aquele que diariamente é humano e comete o ato dito pecado.


Deus disse: “Não mentirás”
esse é o pecado consumido no prato diário,
virou rotina, profissão virou vicio mentir.
E sem duvida alguma que a maioria das mentiras
as mais frajutas estão no altar sagrado
e como se mente nesses moquifos
ae dízimos e orações, nesses antros de porcarias,
nesses poços de arrecadação do capitalismo
descendente dos caminhos sujos,
nessas vielas imundas de pregações inventadas,
planejadas, invertebradas.
São nesses antros em que se cometem os atos ditos pecados.

Deus disse: “Não cobiçarás”
e nada é mais cobiçado que a mulher do próximo,

a riqueza do próximo,
a saúde do próximo, a felicidade do próximo,
a sabedoria do próximo,
a filha do próximo, tudo do próximo
é cobiçado sem sistema de culpa,
sem manifesto de renegação é natural olhar
e desejar a mulher do próximo
principalmente aquela com um corpo
que ultrapassa os limites da
Arquitetura perfeita.
É de olho grande no que pertence ao próximo
que se comete o ato dito pecado.

Deus disse. Acho que chega, ele já disse muita asneira,
existe um livro repleto de suas palavras de mestre,
reis dos reis e nada foi seguido, para um ser tão importante
e mais aclamado no mundo inteiroestá muito
sem força de aceitação quanto as suas ordenações.
Peço mais uma vez que jogue a primeira pedra
aquele obediente a fundo aos tais mandamentos ditos sagrados.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ponto de mutação





Vivo até o inesperado dizer: chega!
Chega do sim a tudo, chega dessa
Afirmação constante sem lógica.
Chega da vida medíocre, inebriada e sem freios.
Vivo esperando o sinal de algo, o sinal vermelho
do pare e pule adiante, do algo inverso
a toda forma de conduta, de moral
e de verdade creditada até hoje.


Vivo por um fio esperando o próximo
Caos nascer, esperando a próxima guerra
Estourar, esperando a próxima forma de vida
Se manifestar para tomar posse do planeta.
Espero a metamorfose rebelar-se para só assim
Ausentar-me e cair nos braços da “Morte voluntaria”.


Estou a dois passos de conhecer a vida por traz
Dos segredos mais sombrios da humanidade.
E tudo isso me faz sentir vontade de desaparecer
e me isolar completamente do mundo lá fora.
o pavor e o vômito são constante dentro de mim.


Dançar com forme a música do mundo
Dançar com forme os passos do mundo
Impossível, não sei dançar e desconheço
As notas sem ritmos de milhares.
Sou cego, mudo e surdo para os que
Rodeiam-me. Enlouqueço grito e esbravejo
Constantemente, mas apenas com metáforas
Que melhor apresento o anacronismo humano.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O brado do extemporâneo


Uma roda de amigos engravatados forma-se e sobre eles gira o assunto mórbido e decadente. Religião. Homens compartilham o mesmo pensar deflagrado e adulterado pelo sistema de conduta seguido a risco. A bíblia aberta sobre a mão espalhada de um articulista que se diz altruísta deixa claro o vírus de ignorância presente, é para todos os enganados um sinal maior de conhecimento. Da boca do altruísta sai o mal que acompanha o ser humano desde o inicio dos tempos. Todos em volta dele embebedam-se com as palavras alcoolizadas, todos em volta maquinalmente erguem para o céu as mãos, tomam pra si o ópio.

Sob os pilares de uma moderna construção na qual é visada a mais arquitetadas das construções - é preciso conforto para se garantir na ida para o céu. Cristãos dão as mãos e assim aumentam a corda dos próprios enforcamentos, os enforcamentos pelas crenças, pelos cânticos, pelos ditos, pelas hipocrisias liberadas sem noção.

O altruísta continua a fazer seu discurso com mais gestos e lagrimas do que com palavras ele faz isso sempre, ele carrega milhões proferindo asneiras e sendo o centro das atenções, ele grita alto e cita os versículos escolhidos e repetidos tantas e tantas vezes, eles expulsam demônios, eles curam, eles são milagreiros, eles são mensageiros de um deus, eles discípulos de um deus, eles são homens divinos. São imagens de um deus morto.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Dialogo com um ateísta

                                                                                   

                                                                                            Baixada Santista,



                                                                                           25 de julho de 2010

Meu caro ateísta,


Resolvi te escrever pelo fato de saber da sua ligeira tomada de decisão referente aos conceitos que rodeiam nossa vida, não somos obrigado a aceitar nada sem o verdadeiro conhecimento, sem a nossa própria idealização do fato, sem o consentimento do ego. Viver é isso meu amigo passar por cima de tudo para defender suas próprias crenças baseadas em fatos lógicos e concretos, passados por vários testes de veracidades. Nunca diga sim aquilo que você desconfia, nunca aceite nada sem antes consultar suas fontes infinitas isso é primordial, isso se chama vontade de conhecimento. Valorize e duvide de tudo aquilo que se manifesta dentro de ti, pois só assim você conseguira definir verdade de mentira e formara para toda sua vida um ideal concreto, então estará pronto para contestar com qualquer um.


A carta que você me enviou está dotada de sentimento isso mostra que um ateu não é só um intelectual trabalhado para atacar tudo direcionado contra a sua forma de pensamento, as suas crenças. O descrente é também um ser humano e a sua linha de visão totalmente diferente, pois ele ver o que os outros fazem questão de esconder. Percebi em sua carta no penúltimo parágrafo se não me engano uma grande percentual de tristeza, entendo muito bem passei por isso tantas vezes, as pessoas em volta, seus próprios familiares te olham estranhando te achando um demônio, um traidor dos preceitos ensinado por eles, um relacionamento serio é bastante complicado a compreensão em torno do assunto é complexa. É preciso muita paciência, é preciso não perder o controle, é preciso não tomar um dialogo longo com qualquer pessoa, visto que, a qualquer momento esse tipo de pessoa vai abordar o assunto que te repudia, o assunto que te faz falar sem medo, o assunto que te faz contestar a qualquer custo. Sei que vai ser dureza para você se acostumar com tudo isso, mas como já te falei é preciso, nossas verdades e dignidade estão em jogo, não somos bobos para acreditar em quaisquer besteiras que nos falam.


Senti uma firmeza revigorante em ti quando simplesmente escreveu que viver depende de escavar, escavar e escavar cada idéia que surge, pois só assim é que se chega ao magma de uma verdade esperada. Esse seu pensamento me deixou bastante satisfeito, vejo que outros além de mim vão fundo em busca do que se acredita, em busca de novos valores para poder de uma vez enterrar os velhos e esquecê-los definitivamente. Viver de fantasias é mera idoneidade para a covardia, só um covarde vive depositando fé em fantasias, só os covardes dão as mãos, ajoelham-se e sussurram tempo perdido embaixo de um templo patético. Quero te dizer meu amigo não pelo fato da minha crença em hipocrisias terem acabado há muito tempo, mas sim pela sua decisão em conhecer é pra isso que serve o dispositivo dentro de sua cabeça. Chegamos num tempo que se faz de tudo pelo capitalismo e pela lavagem cerebral que anda fazendo na maioria dos seres humanos, deram-nos a democracia apenas como plano de fundo na realidade eles querem nos fazer de fantoches e só serão transformados em fantoches de porcos criacionistas quem diz sim ao que eles chamam de verdade.


Peço que mantenha sempre contato comigo, quero saber da sua evolução em torno do que discutimos, com relação a sua família tente com um pouco mais de calma explicar seus pensamentos, talvez eles entendam e mesmo se não entender não desista lute pelos seus ideais isso é maravilhoso. Quero que assista ao filme, criação ele aborda o processo de publicação da teoria da evolução de Charles Darwin, com certeza você vai gostar e vai entender, pois sua inteligência é o diferencial não deixe isso escapar de você é fundamental para seu crescimento interior. Quando o silencio se tornar presente aproveite, nada é mais grandioso do que o silêncio em tempos de conhecimento profundo, faça do silêncio seu alimento principal e não se esqueça de pesquisar, pesquise muito, pesquise sem medo só assim se encontra o que se procura.


Atenciosamente,

                                                                                            Extemporâneo

sábado, 24 de julho de 2010

Os livros


Uma vez minha mãe me chamou para jantar, eu me recusei
Preferi ficar degustando MENINO DE ENGENHO
de José Lins do Rego e ela disse: “Quero só ver se você vai comer livro
a vida inteira e se os livros vão de te dar a alimentação
Que precisa”. Hoje o que mais sei é ler e é bem verdade que ela estava certa
Foi nos livros que sempre encontrei o alimento rico em proteínas.
Os livros me dão conhecimento e esse é o único alimento que me sustenta
E me protege contra os ignorantes de berço.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Limpeza de chaminé


Ir ao espelho no final de cada dia
E confidenciar a sua semelhante imagem
Todos os distúrbios dos pensamentos
Em determinado dia, tudo o que faz
A cabeça parecer está cheia. Como se
Fosse uma lareira se não limpamos
A chaminé ela acumula sujeira e acaba

Não conseguindo expulsar a fumaça
E essa mesma fumaça ao invés de sair
Retorna para dentro causando mal estar
E desconforto para o interior. Nossa cabeça
É essa chaminé e se não eliminarmos
Todos os pensamentos que causa
Desconforto, que deprime que é danoso
Para o desenvolvimento da essência mental.
Acabamos por desenvolver o estresse
E ele se intensifica a cada acumulação
De sujeira mental.

Limpar chaminé e expulsar todo o pensamento
Sem proveito, aqueles inúteis, aqueles sem
Conjunção, sem articulação. Limpar chaminé
Eliminar o desconforto e proporcionar o surgimento
de novas idéias.


Titulo tirado do livro QUANDO NIETZSCHE CHOROU que em um dos capítulos Breuer médico Italiano e um dos pais da psicanálise, diz ter curado um paciente através do método da limpeza de chaminé. E que mais tarde no decorrer do livro ele mesmo se submeteria a esse processo sendo eficaz não só para ele, mas para Nietzsche também.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Chispa o martelo


1. “Fique com Deus”, “vá com Deus”. Qual Deus? O Deus dos inebriados? Duas formas de falsidades humanas, duas formas de desvio moral, dois vícios Habituais que irritam, duas formas de praguejar quem fica e quem vai.


2. Não posso ainda me dizer sapiente, mas tenho dentro de mim vontade
De conhecer e algumas verdades formuladas capazes de derrubar ídolos.


3. O viver além dos Alpes nas mais altas montanhas alguns são destinados
A tão gloriosa aventura, que o diga o meu pai. A sabedoria está nós Alpes,
Falo da sabedoria espirituosa a que leva o principio de verdade homogênea.


4. Não a maior prazer que a de derrubar ídolos frentes a crentes ridículos.

Das hipocrisias em minha volta


Estou rodeado de hipocrisias e isso me perturba tanto quanto um piolho no couro cabeludo. Ter que ouvir asneiras que alguns insignificantes sem total razão liberam de suas labutas bucais escandalosas é de mais pra mim, um imoralista. Quanto mais tento me manter distante mais vírus pestilentos aproximam-se de mim a corroer meu silêncio, a agarrar minha vontade de aniquilar, de dizer tudo que penso sem economizar palavras e enterrar de vez o verme sem alguma chance de se levantar.

Está em minha casa dentro de uma caixa de som e imagem, está em volta da minha casa na igreja ao lado do pastor que berra incessantemente, está em meu trabalho, está em minha volta, está em qualquer lugar por que o ser humano com sua sabedoria de asno são as próprias hipocrisias, carregam os trapos de verdades, comem e bebem dessas verdades bebem em demasia e se inebriam. Fazer parte de uma sociedade que crer em tudo que ouve, fala o que não entende, transmite o distorcido mais distorcido ainda e não aceitam de forma alguma a realidade lógica das coisas. Viver ao lado desses semeadores da podre verdade é tarefa difícil e agonizante.

Queria não depender do capitalismo, assim seria um homem livre para viver distante de qualquer forma de vida, pois para os hipócritas 10.000 mil quilômetros distantes de mim são pouco. É fator marcante mencionar Robson Crusoé e sua hipocrisia vergonhosa quando preso em sua ilha deserta distante de qualquer forma de vida que não fosse à dos primatas, não soube viver em harmonia com a natureza, não suportou a distancia dos seus semelhantes e quase chegou ao ponto de enlouquecer, chorou, chamou pelo imaginário e aumentou ainda mais suas ilusões sem lógica em torno do divino, em torno do crucificado. Conclusão: um homem hipócrita torna-se mais hipócrita quando afastado da sociedade, quando povoa em seus sentimentos a solidão, quando não a mais pra quem titubear, enganar e direcionar sua falências de pensamentos. O contato humano vicia e derruba o homem fraco, o homem sem a liberdade do seu próprio ego.

Como Nietzsche escreveu em uma de suas obras mais fantástica o Ecce Homo sobre outro livro Humano, demasiado humano: “Onde vós vedes coisas ideias, eu vejo coisas humanas, ah, coisas demasiado humanas!” em tudo que se enlaça ao homem é demasiado em se tratando de falsas verdades. O óbvio é bem difícil de ser enxergado, todos comem de verdades ilógicas pelo simples motivo de não enxergarem o óbvio ofuscando em suas caras pálidas e ainda pisam e repisam por sobre elas. Viver ao lado do populacho é algo viscoso e nojento que me enoja sempre.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O ser falso


Deplorável. Esse o adjetivo cabível aos falsos que bóiam em sociedade
Eles acham que podem comprar qualquer um com palavras,
Com um venha a mim, com um humor hediondo de hipocrisia,
Com qualquer tolice que solta da boca.
Falsidade é sistema canalizado para desvio de padrão, para o
Corropimento, para o enganar, para se ter vantagem sobre seu adversário
Esses são seus conceitos mais adequados.
O ser humano tem em sua vivencia a vergonhosa capacidade
De ter varias faces com o intuito perspicaz e mesquinho
Para conquistar o território considerado inimigo.
Deplorável o ser que se utiliza da falsidade para sustentar suas mentiras.
A miséria nasce disso, a miséria do pensar se alastra alcançando
A estrutura cerebral que logo se torna pútrida. O ser falso
É também um ser completamente podre.



terça-feira, 29 de junho de 2010

Nós, os sem-medo (A gaia ciência Nietzsche)





O que há com nossa serenidade. O maior dos acontecimentos recentes – que “Deus está morto”, que a crença no Deus cristão caiu em descrédito – já começa a lançar suas primeiras sombras sobre a Europa. Para os poucos, pelo menos, cujos olhos, cuja suspeita nos olhos é forte e refinada o bastante para esse espetáculo, parece justamente que algum sol se pôs, que alguma velha, profunda confiança virou duvida: para eles, nosso velho mundo há de aparecer dia a dia mais poente, mais desconfiado, mais alheio, mais “velho”. Mas no principal pode-se dizer: o próprio acontecimento é grande demais, distante demais, demasiado à parte da capacidade de apreensão de muitos, para que sequer sua notícia pudesse já chamar-se chegada: sem falar que muitos já soubessem o que propriamente se deu com isso – e tudo quanto, depois de solapada essa crença, tem agora de cair, porque estava edificado sobre ela, apoiado a ela, arraigado nela; por exemplo, toda a nossa moral européia. Esse longo acúmulo e seqüência de ruptura, destruição, declínio, subversão, que agora estão em vida: quem adivinharia hoje já o bastante deles, para ter de servir de mestre e prenunciador dessa descomunal lógica de pavores, de profeta de um enobrecimento e eclipse do sol, tal que nunca, provavelmente, houve ainda igual sobre a terra?... Mesmos nós, que nascemos decifradores de enigmas, que esperamos como que sobre as montanhas, postados entre hoje e amanhã e retesados na contradição entre hoje e amanhã, nós, primogênitos e prematuros do século vindouro, aos quais propriamente as sombras que em breve hão de envolver a Europa já deveriam estar em vista agora: de onde vem que mesmo nós encaramos sua vinda sem muito interesse por esse ensombrecimento, antes de tudo sem cuidado e medo por nós? Estamos ainda, talvez, demasiado sob as conseqüências mais próximas desse acontecimento – e essas conseqüências mais próximas, suas conseqüências para nós, não são, ao inverso do que talvez se poderia esperar, nada tristes e ensombrecedoras, mas antes são como uma nova espécie, difícil de descrever, de luz, felicidade, facilidade, serenidade, encorajamento, aurora... De fato, nós os filósofos e “espíritos livres” sentimo-nos, à notícia de que “o velho Deus está morto”, como que iluminados pelos raios de uma nova aurora; nosso coração transborda de gratidão, assombro, pressentimento, expectativa – eis que enfim o horizonte nos aparece livre outra vez, posto mesmo que não esteja claro, enfim podemos lançar outra vez ao largo nossos navios, navegar a todo perigo, toda ousadia do conhecedor é outra vez permitida, o mar, nosso mar, está outra vez aberto, talvez nunca dantes houve tanto “mar aberto”.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O imoralista "par excellence"


“De tudo aquilo que é escrito, me faz gosto de fato apenas aquilo que alguém escreve com sangue. Escreva com sangue e haverás de experimentar que sangue é espírito.” Faço minhas as palavras dele. Ler Nietzsche é compreender todo processo de conduta humana baseada em mentiras, baseada em falsas analogias grotescas que levam a degeneração do pensar em seu estrambólico meio social extraviado. A satisfação de ler Nietzsche e perceber o quão importante ele foi para filosofia do antes e do agora inovada, em suas próprias formas de expressão criadas para esmagar ídolos de todas as espécies, quando percebo a força de cada expressão, de cada aforismo, de cada saber em uma única frase, mais maravilhado, extático e forte me sinto. Ele é espantoso, ele é engrandecedor e como ele mesmo escreveu: “Eu não sou homem, eu sou dinamite.” E explodiu as verdades contrarias, assim como o homem néscio falastrão, assim como o populacho enganado, assim como toda forma de lavagem cerebral.


“Minha ambição é dizer em dez frases o que qualquer outro diz num livro – o que qualquer outro não diz num livro.” A escrita precisa capaz de derrubar o mais feroz dos seres, criticas contundentes que o fizeram aniquilador incansável. Os seus aforismos foram em grande parte o seu recanto, a sua camada de proteção contra os mascarados, foi sua arma mais poderosa contra toda forma de poder, contra uma cultura, contra a filosofia pobre, contra a forma de poder mais indecorosa e persistente, o cristianismo. Ele criou o aforismo para derrubar a moral deturpada, para fazer arder os pensamentos ingênuos dos cristãos, fez da cultura Alemã um de seus alvos prediletos, passou como um tanque de guerra por cima de ídolos e derrubou do trono “o crucificado”, essa foi sua forma de felicidade: “um sim, um não, uma linha reta, um alvo.” Em Nietzsche corria o sangue da virtude e o sangue é as suas obras e elas permanecem com a mesma força, talvez maior ainda. Em Nietzsche não se vê hipocrisias e quando falo Nietzsche falo de todas as obras existentes, ele agride os merecedores, ele extermina o fraco de virtude e o forte moralista, pois ele é o imoralista e aniquilador par excellence.

“Eu amanso qualquer urso e sou capaz até de fazer de um palhaço uma pessoa descente.” Ele em sua condição de matador de ídolos, o destruidor dos pilares sujos das religiões e de todo conceito de verdade deteriorada, de toda moral em estagio de ignorância ejaculada pela sociedade devota aos seus conceitos mesquinhos, ele o homem que desceu o martelo em toda forma de hipocrisia e em toda forma de negação da verdade absoluta, foi e é o único homem a alcançar 6000 pés além de todos os filósofos e pensadores que existiram ou existem na face da terra. E o segredo da sua virtude de gênio ele mesmo revela: “Em tempos de trabalho profundo não se vê livro algum em volta de mim: eu me guardo de deixar alguém discursar ou até mesmo pensar perto de mim.” Está ai a formula de um gênio insuperável, de um espírito totalmente livre que sem medo de andar próximo aos mais perigosos dos abismos, sem medo de cair nas estreitas pontes por onde passou ou de ser engolido pelas feras agonizantes do poder fez de sua solidão cúmplice e de sua doença força e verdade.

“Sim! Eu sei muito bem de onde venho!
Insaciável como a chama no lenho
Eu me inflamo e me consumo.
Tudo que eu toco vira luz
Tudo que eu deixo, carvão e fumo.
Chama eu sou, sem dúvida.”

                       (Ecce homo)